O “Podemos”, partido político de esquerda que nasceu do “movimento dos indignados” e hoje lidera as pesquisas eleitorais na Espanha para o pleito de dezembro, deu uma incontestável manifestação de força no último sábado (31/01).
Milhares de pessoas compareceram a “Marcha da Mudança”, em Madri, num gigantesco protesto que reuniu, segundo os organizadores, cerca de 300 mil pessoas contra as políticas de austeridade do governo conservador do premiê Mariano Rajoy.
A Marcha ocorre após a vitória do Syriza, na Grécia, numa demonstração de que a derrota eleitoral do conservadorismo naquele país injetou ânimo na resistência popular contra a austeridade em outros países na Europa, como no caso da Espanha.
O “Podemos” já figura na liderança das pesquisas eleitorais com quase 30% das intenções de voto, enquanto os sociais democratas e conservadores que se revezaram na aplicação dos planos de austeridade ditados pela Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu – BCE, e o Fundo Monetário Internacional – FMI), observam seus índices de intenção de voto despencar.
Frente aos milhares de manifestantes, Pablo Iglésias, um dos principais líderes do “Podemos”, afirmou que sonha com uma Espanha que aposte na indústria, na economia verde, que incentive as energias renováveis, que acabe com os monopólios e que amplie os direitos trabalhistas, para impedir os baixos salários e acabar com a onda de demissões. A reestruturação da dívida pública também figura entre as principais propostas do novo partido. Ou seja, é uma opção pelo caminho inverso ao que vem percorrendo o governo Dilma, que anda na contramão da experiência europeia em sua luta contra os efeitos perversos da austeridade.
Pablo Iglésias afirmou em seu discurso aos milhares de manifestantes que o novo governo grego, do chanceler Alexis Tsipras, “havia feito mais em seis dias do que outros em seis anos: suspendeu as privatizações dos portos e dos aeroportos, voltou a integrar os demitidos, elogiou os heróis da resistência na luta contra os alemães […] Quem é que dizia que não se pode? Quem dizia que um governo não pode mudar as coisas?”, perguntou o secretário-geral do Podemos, acrescentando que em Atenas “agora tem um governo sério e trabalhador”.
Mas, o processo político Europeu, entretanto, como qualquer outro, não é linear e muito menos homogêneo. Em Portugal, por exemplo, mantêm-se a lógica bipartidária, em que “socialistas” e conservadores (ambos comprometidos com a política da Troyka) continuam polarizando a disputa política no país. Na França, quem está capitalizando eleitoralmente a rejeição à austeridade é a frente Nacional, de Marie Le Pen – organização de ultra-direita que aparece na casa dos 30% de intenção de votos em algumas pesquisas eleitorais. Na Itália, cresce a influencia dos adeptos de Beppe Grillo e a Liga Norte, grupo político influenciado por Le Pen.
Diante desse cenário, de fortalecimento também de grupos conservadores, é fundamental e decisivo que o novo governo da Grécia adote as medidas prometidas na campanha, como vem fazendo nesse início de gestão, numa demonstração prática de que mudança pra valer é pela esquerda, a única alternativa real à austeridade ditada pela Troyka e às falsas alternativas representadas pela ultra-direita xenófoba e sem compromisso com mudanças reais a favor dos povos e trabalhadores europeus.
Viva a luta do povo europeu, em defesa de seus direitos e contra a política de austeridade da Troyka que só responde aos interesses do Capital Financeiro!
*Pronunciamento do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), realizado na tribuna da Câmara dos Deputados em 03/02/2015.

