Os partidos de oposição ao governo Bolsonaro – PSOL, PT, Rede, PCdoB, PSB, PDT e PV – enviaram nesta terça-feira (19) uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a responsabilização de Bolsonaro após suas ameaças golpistas em reunião com embaixadores na última segunda (18).
“Bolsonaro não pode usar do cargo de Presidente da República para subverter e atacar a ordem democrática, buscando criar verdadeiro caos no país e desestabilizar as instituições públicas”, diz trecho da representação.
“O presidente da República voltou a questionar a lisura do processo eleitoral brasileiro, de uma forma ainda mais agressiva e chocante, o que expõe seriamente a imagem do Brasil no cenário internacional, significando grave ameaça ao Estado Democrático de Direito, pois afronta a soberania popular a depender do possível resultado do pleito de 2022”, continua a oposição.
Os partidos solicitam que o documento seja enviado ao TSE para apuração de supostos crimes eleitorais, de propaganda eleitoral antecipada e de abuso do poder político e econômico. Além disso, solicitam a abertura de um inquérito civil para a apuração de improbidade administrativa.
Na residência oficial do Palácio da Alvorada, diante de representantes diplomáticos de outros países, Bolsonaro repetiu suspeitas sem fundamento e já desmentidas sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral do Brasil.
O presidente baseou a apresentação em um inquérito aberto pela Polícia Federal em 2018, com autorização do STF, sobre a invasão de um hacker ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O TSE já informou, por diversas vezes, que esse acesso foi bloqueado e não interferiu em qualquer resultado.
A tática tenta sinalizar a sua base mais radicalizada para que os resultados eleitorais não sejam respeitados, e busca desviar o foco de recentes escândalos envolvendo o bolsonarismo, como as denúncias de abuso sexual contra o ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, figura recorrente ao lado do presidente, assim como a influencia direta do discurso de ódio bolsonarista no assassinato de um dirigente do PT em Foz do Iguaçu (PR) por um homem aos gritos de “Aqui é Bolsonaro!”.
Bolsonaro também tenta desviar o foco do crescente cenário de fome no Brasil, com altíssimos índices de inflação e também de desemprego.

