O PSOL, através de sua líder na Câmara dos Deputados, Talíria Petrone, protocolou na última segunda-feira (13) um requerimento de informações endereçado ao Ministro das Comunicações, Fábio Faria, para que ele se explique sobre as denúncias de uso político da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
As denúncias, divulgadas em reportagem do Brasil de Fato, apontam que a EBC tem pressionado os jornalistas da empresa para que intensifiquem a produção diária de conteúdo positivo da gestão do coronel Ricardo Mello Araújo, ex-comandante da Rota, à frente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).
Mensagens no grupo de Whatsapp dos jornalistas da estatal obtidas pela reportagem mostram momentos em que os trabalhadores são pressionados pela direção. Em um trecho, uma pessoa da direção da empresa repassa um recado do presidente da EBC, o publicitário Glen Lopes Valente.
“O Glen quer que faça o máximo possível de matéria da Ceagesp. Recado dele”, diz a primeira mensagem. “Prioridade de hoje, a partir de São Paulo”, complementa a direção. Nos oito primeiros meses de 2021, a EBC produziu 23 reportagens sobre o Ceagesp.
Para Talíria Petrone, “as acusações de campanha antecipada são muito graves e se somam aos episódios inaceitáveis de censura aos jornalistas já denunciados. Desde a posse de Bolsonaro, são, ao menos, 138 episódios de censura. Pautas urgentes para o povo, como fome, desemprego, desmatamento na Amazônia e cortes na Educação deixaram de aparecer na TV Brasil. Golpe e ditadura são palavras que foram proibidas em matérias sobre o período militar. Fábio Faria tem que dar explicações sobre esse uso, que é ilegal”.
“É muito grave o que está acontecendo com a comunicação pública. O desmonte da EBC, a pressão sobre seus trabalhadores, o aparelhamento da empresa por parte do governo Bolsonaro, tudo isso é parte de uma política de ataque à democracia”, encerra Petrone.

