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PSOL cobra providências urgentes ao MPF para proteção de Alessandra Munduruku

A bancada do PSOL na Câmara enviou um ofício nesta terça-feira (16) a Eliana Peres Torelly de Carvalho, Subprocuradora-Geral da República – Coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão / Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, para pedir medidas protetivas à ativista indígena Alessandra Munduruku e a abertura de investigação da Polícia Federal sobre a invasão à casa da líder indígena.

A casa de Alessandra Munduruku, em Santarém (PA), foi invadida dias depois de retornar de Glasgow, onde participava da COP 26. Os criminosos roubaram documentos, cartões de memória das câmeras de segurança e R$ 4 mil – que ajudariam a custear uma assembleia do povo munduruku marcada para dezembro.

Alessandra não estava em casa no momento da invasão. Na véspera do crime, supostos funcionários da companhia de energia local estiveram na residência alegando que precisavam interromper o fornecimento de eletricidade. Desconfiada, ela tentou confirmar a informação com a companhia, que disse não ter funcionários em campo na região naquele momento. Por esse motivo, a líder deixou sua casa e procurou abrigo junto a amigos.

Essa não é a primeira vez que a casa de Alessandra é saqueada. Em 2019, um grupo de parlamentares alemães chegou a cobrar o governo Bolsonaro que ela recebesse proteção das autoridades após receber ameaças de morte e ter sua residência invadida.

Alessandra Munduruku é uma líder indígena reconhecida nacional e internacionalmente: foi a primeira mulher a presidir a Associação Indígena Pariri, que representa mais de dez aldeias do Médio Tapajós. Em 2019, chegou a discursar para mais de 270 mil pessoas no Portão de Brandenburgo, em Berlim, e recebeu, em 2020, o Prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos, um reconhecimento de sua força e coragem para proteger seu território e defender direitos.

A deputada federal Vivi Reis (PSOL), que também esteve na COP-26 e vem acompanhando as ameaças e as situações de violência contra os indígenas, destacou a necessidade de uma ação urgente, tendo em vista a escalada de violência contra os povos originários, sobretudo às suas lideranças:

“Os casos de violência contra lideranças indígenas como Alessandra Munduruku vêm se agravando dia-a-dia em toda a Amazônia como resultado de uma política não apenas permissiva, mas deliberadamente favorável à invasão de terras indígenas por madeireiros e garimpeiros ilegais, estimulada pelo governo Bolsonaro. É mais que urgente a intervenção do sistema de segurança para proteção desses defensores dos direitos dos povos originários”, ressaltou a deputada.

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