A bancada do PSOL na Câmara apresenta na tarde desta terça-feira (7) um requerimento de convocação do Ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, para que ele dê explicações sobre uma operação militar denunciada pelo site The Intercept Brasil.
Segundo a reportagem, o exército realizou em 2020 uma simulação em que candidatos a integrar a sua tropa de elite tiveram de combater uma “organização armada clandestina”.
No texto que apresenta o exercício, a força explica que o inimigo fictício surgiu “de uma dissidência do Partido dos Operários”, o “PO”, que “recruta e treina militantes do MLT”, o “Movimento de Luta pela Terra”.
Outras referências que remetem a iniciativas ou personalidades históricas progressistas e de esquerda são encontradas no documento, como “Mídia Samurai” e “Exército de Libertação do Povo Brasaniano”, por exemplo.
Um dos questionamentos a serem feitos ao ministro é por que razão o exercício a que os oficiais do Exército se submetem para ingressar em suas Forças Especiais coloca movimentos sociais e políticos de esquerda ou de oposição como “inimigos” a serem combatidos com poderio militar.
“É inconstitucional e alarmante que os inimigos a serem combatidos no treinamento para as Forças Especiais do Exército brasileiro sejam caracterizados como movimentos sociais e organizações de esquerda. A narrativa remonta à retórica que justificou o golpe de 1964 e as atrocidades da ditadura que se instaurou, vinculando a esquerda e a imprensa a inimigos fictícios e treinando os militares brasileiros a combatê-las”, afirma o documento do PSOL.
Batizada de Operação Mantiqueira, a atividade teria sido realizada em novembro do ano passado no município de Piquete (SP), que tem menos de 15 mil habitantes e é sede de uma das mais antigas unidades da Imbel, a Indústria de Material Bélico do Brasil, uma estatal vinculada ao Exército.
De acordo com a denúncia, teriam participado da Operação Mantiqueira sargentos de carreira e oficiais do Exército que eram alunos do Centro de Instrução de Operações Especiais, o CIOpEsp, localizado em Niterói, cidade da região metropolitana do estado do Rio. Teria sido a última atividade do curso que serve como vestibular para o ingresso nas Forças Especiais, e 17 teriam sido aprovados para trabalhar no Batalhão de Forças Especiais, o BFEsp, sediado em Goiânia.

