A bancada do PSOL fez uma denúncia nesta semana ao Ministério Público Federal (MPF) contra a mineradora Imerys, após um depósito químico da empresa explodir em Barcarena, no estado do Pará.
O depósito armazenava hidrossulfito de sódio e não há, por parte da mineradora, qualquer informação sobre as consequências à saúde da exposição à fumaça desse produto químico. Os moradores do bairro Vila do Conde inalaram fumaça tóxica e relatam dificuldade para respirar desde a explosão, ocorrida na última segunda-feira (6).
De acordo com a denúncia feita pelos parlamentares ao Procurador-Chefe no Pará, Felipe de Moura Palha e Silva, a explosão é tragédia anunciada, mais uma dentre vários desastres causados pela Imerys.
“O desrespeito da empresa para com a vida das ribeirinhas e ribeirinhos é gritante e ultrajante. O relatório de 177 páginas da CPI ocorrida em 2018, citando diversos desastres contra o meio ambiente protagonizados pela mineradora e o Relatório Final da Comissão Externa da Câmara dos Deputados demonstram que essa é uma tragédia repetida. É necessária, portanto, uma severa e rigorosa responsabilização da Imerys”, destaca o texto da denúncia.
A bancada do PSOL também cobra explicação das autoridades municipais, estaduais e federais. No documento, os parlamentares anexaram o relatório da Comissão Externa das Bacias de Rejeitos de Mineração em Barcarena (PA) na Câmara dos Deputados, coordenada pelo então deputado e atualmente prefeito de Belém (PA), Edmilson Rodrigues, em 2018, que destaca as denúncias contra a empresa Imerys.
A Imerys é reincidente em desastres ambientais: em 2014, uma decisão da Justiça Federal obrigou a mineradora a fornecer água e alimentos a famílias atingidas por vazamentos (que começaram dentro da empresa) de caulim.
A deputada federal do PSOL Vivi Reis integra a diligência criada na Assembleia Legislativa do Pará, iniciativa do deputado estadual Carlos Bordalo (PT), para avaliar os impactos sociais e ambientais da explosão.
Além de parlamentares, a diligência é composta por integrantes de movimentos e entidades ligados ao meio ambiente e direitos humanos, representantes da comunidade local, Ministério Público e Poder Judiciário.
“A mineradora tenta minimizar os impactos de um vazamento de fumaça tóxica, que ela chama de ‘evento’, que levou a população a precisar de atendimento médico. Precisamos chamar isso pelo seu verdadeiro nome: é um crime ambiental que precisa ser apurado e não pode ficar impune”, afirma Vivi Reis.

