Em resposta a requerimentos oficiais de informação enviados pela bancada do PSOL, o Ministério da Economia expôs mais um momento em que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro colocou os interesses nacionais em segundo plano para manter seu alinhamento automático ao governo Donald Trump, dos Estados Unidos da América.
Bolsonaro ignorou a aposta feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para o comando do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a instituição multilateral de crédito mais influente do continente. Ao contrário do que o governo Bolsonaro vem afirmando publicamente, o Brasil teve, sim, um candidato ao posto: o economista Rodrigo Xavier, que havia sido indicado por Guedes.
O nome de Xavier chegou a ser sugerido a países caribenhos em documentos oficiais enviados pela pasta da Economia, conforme confirmou ao PSOL o próprio Ministério. Na reta final da campanha pelo BID, Bolsonaro acabou decidindo ouvir os conselhos do chanceler Ernesto Araújo e concordou com a indicação do norte-americano Maurício Claver-Carone, que ganharia o posto em 12 de setembro.
A eleição do candidato de Donald Trump para o órgão quebrou um pacto firmado desde a criação do BID, há 61 anos, de que os Estados Unidos não indicariam o presidente da entidade como uma maneira de prestigiar os parceiros latino-americanos. Agora, quando seria justamente a vez de o Brasil nomear o chefe da instituição, o Itamaraty resolveu seguir a Casa Branca, em mais uma demonstração da guinada histórica pró-EUA da diplomacia brasileira que, na opinião de especialistas em política externa, neste momento tem rendido frutos mais à campanha de reeleição de Trump do que aos interesses de Brasília.
Os ministérios da Economia e das Relações Exteriores foram questionados sobre as razões de o Brasil ter apoiado o nome de Claver-Carone para a presidência do BID ao invés de insistir na candidatura de Xavier, que havia sido sugerido pelo ministro da Economia em maio.
Nas repostas enviadas ao Legislativo, os ministérios afirmam que o nome de Xavier não chegou a ser formalizado. Mas a Economia se contradisse e apresentou cópias de cartas que foram enviadas a ministros de cinco países caribenhos nas quais apresentam o nome do candidato de Guedes e pede o apoio a ele.
Já o Itamaraty se baseou nas exceções previstas na lei de acesso à informação para classificar como reservadas as informações que constavam em dez comunicações feitas com representantes de governos estrangeiros. Quando esse tipo de sigilo é decretado sobre um documento público, o teor oficial dele só é possível ser descoberto após um período de cinco anos. Ao menos dois desses sigilos foram decretados após o questionamento oficial da bancada do PSOL. O partido fez uma representação no Ministério Público Federal contra Araújo por conta disso.



