O PSOL participou como convidado, no último dia 24 de janeiro, do 2º Congresso do Partido Democrático dos Povos (Halkların Demokratik Partisi – HDP). A delegação do partido foi composta por Luiz Araújo, Presidente Nacional do PSOL, Frederico Henriques, membro da Secretaria de Relações Internacionais do partido, e Juliano Medeiros, representando a Fundação Lauro Campos.
Este congresso ocorre exatamente cinco anos após o início da chamada “primavera árabe”. Permite, portanto, comparar o início daquele processo, os sonhos e aspirações ali depositados, o desenrolar das lutas, e seu impacto na Turquia. Desde o início da década a população turca vive momentos difíceis com o endurecimento do governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan, do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), que busca centralizar o poder e aumentar a influência do islamismo sobre o Estado, com a prisão de opositores e a perseguição de minorias étnicas, especialmente os curdos.
Entre as experiências mais ricas da esquerda e dos povos da região, destaca-se a luta pela autonomia e emancipação do povo curdo. Para além das lutas das guerrilhas curdas na Síria e no Iraque, através dos pelotões de autodefesa (YPG/YPJ), vemos a ascensão do HDP – enquanto partido político legal na Turquia, defendendo as minorias – em torno de uma plataforma democrática com forte apoio dos curdos nesse país. Sua primeira aparição na cena política mostrou a força do novo partido. Em sua primeira eleição o HDP superou a cláusula de barreira e atingiu 13% dos votos nas eleições de junho de 2015. Desde então o PSOL tem acompanhado de perto o crescimento do partido.
O que é o HDP?
O HDP foi fundado em 2012 como desdobramento do Congresso Democrático dos Povos – uma união de diversos partidos e movimentos de esquerda, incluindo partidos socialistas, verdes, grupos feministas, movimentos LGBT, sindicatos e iniciativas étnicas que representavam alevitas, armênios e curdos. As ondas por mais democracia e contra regimes totalitários, assim como o sucesso eleitoral ascendente do Syriza grego, são elementos importantes que favoreceram a constituição desse novo partido.
O seu recorte em defesa das minorias – em especialmente em favor da causa curda – ganha relevância quando, em julho/agosto de 2014, o HDP se funde com o Partido da Sociedade Democrática (Barış ve Demokrasi Partisi – BDP), após a atuação como aliados nas eleições anteriores. A partir da tradição da esquerda curda, o HDP também tem 50% de cotas para mulheres, que refletem nas duas presidências – um homem e uma mulher – e as eleições também garantem a cota de 10% para a comunidade LGBT. O envolvimento da juventude e de ambientalistas também fizeram com que tivessem um importante envolvimento na resistência em Gezi, assim como a reivindicação dessas manifestações foram eixo da campanha deles em 2014, e também temas relacionados às liberdades civis, democracia direta, autodeterminação dos povos e bandeiras anticapitalistas. O HDP fez pela primeira vez na Turquia um deputado assumidamente gay, Baris Sulu.
O HDP sempre se propôs a negociar o armistício entre o governo turco e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (Partiya Karkerên Kurdistanê – PKK), que lidera uma luta armada há quase três décadas em favor dos direitos do povo curdo. Devido a isso, o governo sempre tentou desmoralizar o papel que o HDP tem tido em defesa da paz. Além disso, o partido foi vítima de um atentado na última campanha presidencial, onde morreram mais de 100 ativistas numa explosão no centro de Ancara, capital da Turquia, revindicado pelo Estado Islâmico (EI).
A vitória dos curdos em Kobane, expulsando os exércitos do EI, assim como a crescente onda eleitoral experimentada, fizeram com que HDP postulasse disputar como partido político e superasse a cláusula de barreira novamente em novembro de 2015, quando alcançaram 10% dos votos.
O PSOL e a Turquia
O PSOL tem apoiado permanentemente a luta do povo curdo por sua autodeterminação. Denunciando a prisão arbitrária de Abdullah Ocallan, líder do PKK, e a ofensiva conservadora do governo de Erdogan, o PSOL participa de atividades no Brasil e no exterior em apoio à luta do povo curdo contra o EI e o governo turco. Recentemente, nosso partido esteve em encontro promovido pelo Congresso Nacional do Curdistão (KNK) em Bruxelas, e recebeu com entusiasmo o convite feito pelo HDP como uma oportunidade para levar ao conhecimento do povo brasileiro as experiências que esse partido tem promovido na Turquia.
Além de participar do Congresso, a delegação do PSOL teve encontros com parlamentares e dirigentes do HDP. Em reunião com a líder do partido no parlamento turco, Figen Yüksekdag, o partido reafirmou sua disposição de receber uma delegação de representantes do HDP no Brasil para discutir com o parlamento, os movimentos sociais organizados e a sociedade civil em geral a situação do povo curdo. Além disso, discutiu-se a situação política no Brasil, o processo de impeachment contra a presidente Dilma Roussef e as semelhanças e diferenças entre o sistema federativo brasileiro e o Estado turco, altamente centralizado.
Assista ao vídeo de Luiz Araujo, presidente nacional do PSOL, diretamente do congresso do HDP:
O PSOL participou como convidado, no dia 24 de janeiro, do 2º Congresso do Partido Democrático dos Povos (HDP), na…
Publicado por PSOL 50 – Partido Socialismo e Liberdade em Segunda, 25 de janeiro de 2016


