A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados enviou um requerimento ao Ministério da Justiça na última terça-feira (12) para que o chefe da pasta, André Mendonça, dê mais informações sobre o ofício elaborado pela Polícia Federal em defesa da indicação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da PF.
Amigo dos filhos de Jair Bolsonaro, Ramagem foi o escolhido pelo presidente para o posto, mas a indicação foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal.
Após consulta da Advocacia Geral da União (AGU), a PF enviou um ofício atípico, com elogios a Ramagem. O documento, do dia 30 de abril, foi elaborado por delegados próximos a Ramagem, que trabalham no setor de Recursos Humanos da instituição.
A resposta, chamada de institucional, foi muito além do que foi perguntado, contestou a decisão do Supremo, e reconheceu a relação entre o policial e a família Bolsonaro, tratando como normal.
Delegados em cargos de chefia da PF interpretaram que o movimento foi feito de forma combinada, com a participação de Ramagem nos bastidores, desde o pedido da Advocacia Geral da União, até o documento de dentro do órgão. A PF tinha se recusado durante o período de crise a se manifestar.
O PSOL lembra no requerimento que “pelos princípios que regem a administração pública, inscritos na Constituição de 1988, cabe ao agente público fazer a análise imparcial dos documentos públicos”, e pergunta como foi feita a escolha dos agentes que elaboraram o ofício.
Pergunta também se é comum nesses ofício a crítica a decisões do STF e se houve pressão de Bolsonaro, seus filhos ou do próprio Ramagem na elaboração do material.


