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PSOL pede sustação de resolução que dá desconto de 80% a multas dos planos de saúde

Para Ivan Valente, medida da ANS, autarquia que deveria regular o setor, é contrária ao interesse público e aos direitos fundamentais da cidadania

O líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP) apresentou, nesta quinta-feira (25/02), projeto para sustar a resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que alivia a cobrança e o pagamento de multas dadas a operadoras de planos de saúde privados. Conforme a Resolução 388/2015, as operadoras podem obter até 80% de desconto nas multas. “Esta medida é contrária ao interesse público e aos direitos fundamentais da cidadania”, afirma Ivan Valente. “Ela representa uma série de retrocessos para os direitos dos usuários e beneficia somente as operadoras dos planos”.

O Projeto de Decreto Legislativo 322 pede a sustação dos parágrafos 1º e 2º do artigo 33 e a íntegra do artigo 34 da Resolução 388 da ANS. Os dispositivos concedem 40% de desconto às multas aplicadas às operadoras dos planos de saúde, mesmo que não tenham cumprido a prestação dos serviços, e até 80% de abatimento caso o plano se dispuser a reparar o dano em 10 dias úteis.

Para o deputado Ivan Valente, trata-se de uma norma claramente contrária ao Código de Defesa do Consumidor e à Constituição Federal. “Uma agência dita ‘reguladora’ atua para amenizar as multas e punições de operadoras que desrespeitam e abusam dos direitos dos usuários. Esta verdadeira proteção da ANS não só anula seu papel de fiscalização e regulação do setor, como também confirma o que há tempos temos denunciado: a ANS, que tem a origem da maioria de seu corpo executivo vinda do setor privado, não tem nenhuma independência para regular o sistema de saúde suplementar no país”, alerta Ivan Valente.

Descaso com o consumidor
Na última década, os planos de saúde estiveram no topo do ranking de denúncias, segundo o Procon. Das reclamações que chegam à Justiça, 88% resultam em ganho de causa aos consumidores, o que comprova o descaso das operadoras na prestação dos serviços.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também aponta abusos dos planos, e não só aos usuários, mas a médicos e trabalhadores da área de saúde. Entre eles, o descumprimento por parte dos planos do prazo máximo para marcar consultas; a precariedade em relação à disponibilidade de profissionais na rede credenciada; presença de cláusulas abusivas nos contratos, que excluem ou limitam a cobertura de uma série de procedimentos.

Em 2014, a Agência Nacional de Saúde recebeu 90.945 reclamações de usuários de planos de saúde, desde negativas de cobertura, reajustes abusivos, descumprimento de contratos a rescisão unilateral de contrato. Nesse cenário, a ANS pode levar até 12 anos para concluir um processo. Levantamento feito pelo Estado de São Paulo, em 2013, com base em dados oficiais, mostra que em 2011 e 2012 a ANS não recolheu nem 2,5% das multas aplicadas no período.

Além disso, as operadoras dos planos de saúde possuem lucro anual equivalente ao Orçamento da saúde, cerca de R$ 100 bilhões, mas devem aos cofres públicos mais de R$ 2 bilhões.

Na Câmara dos Deputados, o deputado Eduardo Cunha incluiu na Medida Provisória 627/2014, emenda que anistiava em R$ 2 bilhões as multas aplicadas aos planos. A proposta foi aprovada no Congresso Nacional, mas, diante da polêmica provocada, foi vetada pela presidente Dilma Rousseff.

Fonte: Mandato deputado Ivan Valente

 

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