Mais de 15 mil participavam da Marcha Nacional das Mulheres Negras – contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver
Milhares de mulheres negras que marchavam, em Brasília, no dia de ontem (18), contra o racismo e a violência foram agredidas assim que chegaram em frente ao Congresso Nacional. As agressões partiram de um grupo acampado há dias no gramado, que pede o impeachment da presidente Dilma Roussef.
A Marcha Nacional das Mulheres Negras – contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, que reuniu cerca de 15 mil pessoas, seguia pacificamente desde seu início (do Estádio Nacional Mané Garrincha até o Congresso, um percurso de quase cinco quilômetros). Ao chegarem na frente do sede do Poder Legislativo federal foram agredidas por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) – bombas caseiras e até tiros para o alto. A Polícia Militar deteve o policial civil que fez os disparos com arma calibre 40, mas não revistou o acampamento para verificar se haveriam outras armas e bombas.
O deputado Edmilson Rodrigues foi um dos primeiros a chegar ao local e pode ver a hostilidade do MBL (que exibia explosivos) e o despreparo da PM (que jogou gás de pimenta nas integrantes da Marcha e em parlamentares). Ao voltar para o plenário da Câmara – após a confusão ser desfeita e a Marcha ter continuidade – Edmilson cobrou posicionamento do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros.
“Eles continuam lá mostrando explosivos que são capazes de arrancar uma mão. O deputado Ivan tem a prova: dois projetéis de calibre 40. O policial foi preso semana passada e também essa semana. Uma provocação inominável. Todos têm direito de se manifestar. Mas armados não dá. Temos a obrigação de garantir a ordem democrática. Ninguém tem o direito de afrontar as pessoas dessa maneira. Muito menos de portar arma em praça pública”, denunciou Edmilson.
O deputado Ivan Valente mostrou as cápsulas dos projéteis disparados e cobrou do presidente Renan investigação sobre o acontecido e adoção de medidas necessárias para punir os responsáveis. “Não é possível desrespeitar movimento social”, afirmou. “Infelizmente, um ato de cidadania, a Marcha, sofreu uma agressão por parte de provocadores fascistas armados que faziam parte do ‘acampamento’ que pede a volta do regime militar no país. Uma demonstração de que esses setores antidemocráticos e fascistas são tão violentos quando o regime militar que eles reivindicam. Mas para além do repúdio aos provocadores, queremos aqui parabenizar as mulheres negras pela sua força e disposição de luta”.
O deputado Chico Alencar também se manifestou no plenário em solidariedade às integrantes da Marcha. “Vamos punir os responsáveis pelas bombas contra a democracia. Um ataque fascista. Quem joga bomba em cima dessa marcha está querendo restabelecer a escravidão, a argola, ferro, chibata e pau”.
Em sua página no Facebook, o deputado Jean Wyllys disse: “Esse é o retrato de um país opressor, violento, machista e desigual que se recusa a mudar. Até quando as autoridades públicas ficarão silentes em relação à ação destes grupos? Até quando o governo federal irá se apequenar e tolerar que mulheres negras, índios, a comunidade LGBT, as pessoas com deficiência, adolescentes em situação de risco, e tantas minorias sejam aviltadas diariamente em nosso País e dentro do Congresso Nacional?”.
Fonte: Liderança do PSOL

