Do PSOL Nacional, Leonor Costa
No próximo dia 25 de janeiro os eleitores da Grécia irão às urnas para eleger o novo governo dos próximos 5 anos. Dois projetos claramente antagônicos estão sendo apresentados à população grega: um é liderado pelo atual primeiro-ministro, Antonis Samarás, da Nova Democracia (ND), que pretende manter a política de ajuste fiscal imposta pelo tripé Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia e Banco Central Europeu (BCE) – conhecido como Tróika; e o outro liderado por Alexis Tsipras, do partido de esquerda Syriza, que quer romper com a lógica econômica que segue desde os últimos anos e que tem penalizado milhares de trabalhadores gregos devido aos ajustes fiscais e às constantes medidas de retirada de direitos.
O pleito, convocado antecipadamente, ocorrerá no dia 25 próximo porque o parlamento grego não conseguiu eleger o presidente do país. Embora com pouca relevância institucional na política grega, sempre que o cargo de presidente não pode ser eleito por uma maioria sólida pelo parlamento, é necessário que sejam realizadas novas eleições. Numa votação nominal, os 300 deputados gregos se pronunciaram a favor ou contra o candidato apresentado por Antonis Samarás, que obteve 168 votos. Para ser eleito, eram necessários 180. Com essa insatisfatória performance, Samarás não conseguiu evitar a “aventura das urnas”, conforme disse na ocasião, em declarações à imprensa, externando a sua preocupação com a ameaça que estaria por vir em função do crescimento do partido opositor.
Favorito nas últimas pesquisas, o Syriza conta com o apoio do PSOL e de vários partidos de esquerda da América Latina e da Europa. Sem dúvida a vitória do partido de Alexis Tsipras representará importantes mudanças para o povo não só da Grécia como de outros países da Europa, que vêm pagando um alto preço pelas medidas de austeridade do FMI e da União Europeia.
Em nota, divulgada no dia 5 de janeiro, o PSOL reafirmou o seu apoio ao Syriza e considerou que sua vitória dará uma grande sacudida na política de ajuste que hoje se aplica em toda Europa, o que certamente terá repercussão em outros países, inclusive no Brasil. “Syriza, um partido irmão que como o nosso se opõe aos ajustes do governo, decretados pela Troika comandada por Angela Merkel (FMI, Banco Central Europeu e Comunidade Europeia), tem possibilidade de ganhar as próximas eleições. Se isso ocorrer, não mudará somente a situação grega”, afirmou a nota, assinada pela Secretaria de Relações Internacionais do partido. Leia a nota completa aqui.
Juliano Medeiros, Secretário Nacional de Comunicação do partido, faz uma análise do que levou o Syriza a ter um bom desempenho nos últimos anos. Segundo ele, que irá à Grécia representar o PSOL nas eleições do dia 25 de janeiro, a crise econômica europeia fortaleceu ou fez surgir novos atores políticos e sociais que não se submetem aos ditames do FMI ou da Comissão Europeia. “O surgimento do Podemos, na Espanha, e do Syriza, na Grécia; além do fortalecimento de partidos anticapitalistas na França, Portugal e Alemanha, faz parte de um renascimento da esquerda naquele continente. O PSOL se inspira nessas experiências para oferecer uma alternativa de esquerda, socialista e independente ao povo brasileiro. Por isso, estar ao lado desses partidos, prestando nossa solidariedade ao povo grego, será muito importante para o PSOL e para todos aqueles que acreditam numa verdadeira mudança de esquerda”, enfatiza.
O que o Syriza propõe
Em artigo reproduzido no site Esquerda.net, Dimitrios Stratoulis, responsável pela política de emprego do Syriza, apresentou as políticas anti-austeridade que serão implementadas caso o partido liderado por Alexis Tsipras saia vitorioso no próximo dia 25.
Segundo ele, os critérios das decisões enquanto governo progressista de esquerda não serão as exigências dos credores e dos fundos especulativos, mas a sobrevivência do povo, a dignidade do país e também a necessidade de traçar novos caminhos para todos os povos da Europa, “derrubando as políticas destrutivas da austeridade sem fim”. Para isso, conforme explica Stratoulis, o objetivo é obter uma maioria parlamentar nas eleições e formar uma aliança com outras forças da esquerda para formar governo.
“Ele (o governo) dará resposta imediata aos problemas urgentes do desemprego, do restabelecimento dos rendimentos da classe trabalhadora, dos direitos sociais, da proteção legislativa do trabalho e de todos os direitos democráticos que foram abolidos nos últimos anos. Neste quadro, a renegociação dos acordos de empréstimo com os credores para anular as cláusulas abusivas, as cláusulas ‘coloniais’ que estrangulam a população e de apagar uma grande parte da dívida pública, é necessário e primordial”, defendeu.
Entre as propostas que serão apresentadas pelo governo, caso o Syriza seja eleito, vale destacar os seguintes:
– restabelecimento do salário mínimo para 751 euros (que tinha sido cortado para 586 euros pelas leis dos memorandos) e do 13º mês para os pensionistas com rendimentos abaixo dos 700 euros;
– supressão das medidas legislativas que permitiram as demissões abusivas no serviço público e recontratação das vítimas dessas medidas;
– restabelecimento das leis laborais que protegem os trabalhadores do setor privado contra as demissões abusivas e extinção das medidas antidemocráticas que permitem ao governo requisitar abusiva e autoritariamente os grevistas;
– acesso aos serviços de saúde para as pessoas sem cobertura social;
– acesso gratuito aos meios de transporte público para desempregados e pessoas de baixa renda;
– supressão da maior parte do valor nominal da dívida pública, através de mecanismos que não prejudiquem a população;
– plano nacional para o crescimento do emprego;
– reformas do sistema institucional e democratização da administração pública;
– programa de garantia de habitação.
Durante os quatro dias que o secretário nacional de Comunicação do PSOL, Juliano Medeiros, e o representante da Fundação Lauro Campos, Thiago Aguiar, ficarão na Grécia, o site e as redes sociais do partido divulgarão informações atualizadas sobre o processo eleitoral. Acesse e acompanhe mais notícias.
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