A Marcha das Mulheres Indígenas reuniu, na última terça-feira (13), milhares de manifestantes de todo país. Mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades, em uma bela manifestação democrática por soberania popular, democracia e justiça. Mesmo sem nenhum indício de ilegalidade ou ação reprovável, a marcha foi objeto de uma suspeitíssima espionagem por parte da Força Nacional, de acordo com reportagem publicada na Folha de S. Paulo.
Na semana passada, a bancada do PSOL já havia protocolado um Projeto de Decreto Legislativo para sustar o decreto que autorizava que a Força Nacional fosse usada como órgão de repressão os atos dos dias 13 e 14 de agosto (que incluíram também os atos pela educação e a Marcha das Margaridas). Agora a bancada do PSOL quer que o ministro Sérgio Moro explique por que autorizou essa espionagem, numa ação que inclusive contou com os responsáveis usando roupas civis, sem identificação.
O ex-juiz será convocado para ir à Comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara dos Deputados para falar sobre esses temas. O documento solicitando sua convocação foi assinado também pelo deputado Helder Salomão, que preside a comissão. Além disso, Moro também será alvo de mais uma representação do PSOL na Câmara na Procuradoria Geral da República (PGR).
Espionagem
Subordinada ao Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, a Força Nacional espionou as organizadoras da Marcha das Mulheres Indígenas. O responsável pela ação foi um subtenente da Polícia Militar do Ceará, que atuou à paisana. Segundo a Folha, líderes indígenas foram fotografadas pelo policial, entre elas Célia Xakriabá e Sônia Guajajara, da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Chirley Pankará (PSOL/SP), Kerexu Yxapyry, de Santa Catarina, e Telma Taurepang, de Roraima.
O policial chegou a fotografar e filmar as mulheres indígenas até na portaria de entrada do Supremo Tribunal Federal. Em nota, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública confirmou que foi autorizada pelo órgão uma atividade de inteligência sobre o movimento das indígenas.
Em um contexto político em que o poder Executivo tem se mostrado cada vez mais autoritário, e diante de ameaças à liberdade de imprensa e de expressão em nosso país, o caso é mais uma ação antidemocrática patrocinado pelo ministro Sérgio Moro. Não cabe à Força Nacional, no Estado Democrático de Direito, a função de espionar manifestações populares.

