Na manhã deste terça-feira (19), em reunião na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo, o PT acolheu as propostas do PSOL ao programa de governo de Lula, com pequenos ajustes. Assim, a candidatura do Partido dos Trabalhadores ganha importante viés à esquerda, se comprometendo a empreender esforços para reverter políticas neoliberais, acentuadas desde o golpe de 2016.
Os dois partidos estiveram representados por Claudio Puty e Natália Szermeta, do PSOL, e por Aloizio Mercadante, Tereza Campello, Guilherme Mello, Pedro Rossi e William Nozaki, do PT. Essa foi a terceira reunião entre as duas legendas para discutir o assunto.
“Hoje passamos mais detalhadamente pelos 12 pontos programáticos apresentados pelo PSOL. Houve acordo em praticamente todos, com alguns ajustes na redação”, afirma Puty, coordenador do debate de programa eleitoral do partido.
“Após essa reunião, nos sentimos confortáveis para levar ao nosso Diretório Nacional e à nossa militância a proposta de apoio à candidatura de Lula, que já conta com apoio da maioria do PSOL, mas que será votada no dia 30 de abril, em conferência eleitoral”, completou Natália Szermeta, presidente da Fundação Lauro Campos.
“As propostas do PSOL são muito relevantes porque tratam do maior desafio que temos pela frente, que é combater a desigualdade e reconstruir esse Brasil. Essa aliança no campo da esquerda será fundamental para derrotar o bolsonarismo. Saímos daqui com a disposição de criar uma mesa de diálogo permanente, aprofundar essas diretrizes e, ao mesmo tempo aguardar a convenção eleitoral do PSOL para que, a partir daí, ele se integre plenamente ao conselho político da campanha do Lula e à coordenação do programa de governo”, afirmou Mercadante.
Entre as principais propostas programáticas do PSOL que foram revistas estão a revogação da reforma trabalhista e da reforma da previdência. “No primeiro caso, admitimos construir uma nova reforma, a partir de negociação tripartite, que proteja trabalhadores, recomponha direitos e que fortaleça a negociação coletiva e a representação sindical, dando especial atenção aos trabalhadores informais e de aplicativos”, explica Szermeta.
No segundo ponto, os partidos identificaram a necessidade de reconstruir a seguridade e a previdência social para ampla inclusão dos trabalhadores. “Concordamos, ainda, sobre a revogação do teto de gastos e a necessidade de criar um novo marco fiscal”, disse Puty.
Os eixos programáticos definidos pelo PSOL para fundamentar as negociações foram lançados em fevereiro e estão reunidos na plataforma “Direito ao futuro: diálogos do PSOL para reconstruir o Brasil”.
A conferência eleitoral do PSOL – para aprovar o caderno programático do partido, que ainda está em debate com a militância, e deliberar sobre o apoio a Lula e a retirada da possibilidade de candidatura própria – ocorrerá na manhã do dia 30 de abril, em São Paulo.

