
Em artigo no site Alma Preta, a deputada estadual do PSOL Renata Souza falou sobre o marco de um mês da chacina do Jacarezinho, na zona norte do Rio, que deixou pelo menos 28 pessoas mortas. “Essa matança foi uma carta de apresentação deliberadamente escrita a sangue negro pelo novo governador do Rio, Cláudio Castro”, avaliou a ex-candidata do PSOL à Prefeitura do Rio de Janeiro.
“Nem o antecessor de Castro, Wilson Witzel, autor da expressão “tiro na cabecinha”, protagonizou carnificina semelhante a do Jacarezinho”, comparou Renata ao analisar que a sanha bolsonarista por carnificinas nas favelas cariocas segue como política de estado no governo de Cláudio Castro.
“Na Operação Exceptius, o governo atuou à revelia da Constituição e dos tratados internacionais de direitos humanos. Castro pode vir a ser afastado do cargo por essa escolha pela barbárie racista e genocida”, alertou a deputada estadual do PSOL que acionou a ONU e a OEA para que as organizações internacionais cobrem respostas do governo fluminense.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) vai chegar ao Rio nesta semana para o acompanhamento direto das investigações também após pedido de Renata Souza. Ela também acionou o MP e o STF para apuração das responsabilidades e para derrubar o sigilo que hoje vigora de cinco anos sobre as investigações referentes ao caso.
“Em plena crise sanitária e socioeconômica, e na vigência da decisão do STF que suspendeu incursões em favelas, manteve-se no Rio a média de cinco mortos por dia. Esta é a média desde 1998, quando o Estado matou 20.535 pessoas, das quais 98,3% eram homens, 78,5% negros, 40,4% com 12 a 29 anos”, quantifica Souza.
“O derramamento do sangue negro nunca fez cócegas no poderio do crime organizado no Rio. O extermínio de gerações de jovens pobres jamais impediu o avanço do varejo do tráfico e das milícias, que hoje controlam mais da metade do território. Inteligência, investigação e estratégia seriam mais eficazes. Só que o governo insiste na política da morte, que mata também policiais, como o que morreu no Jacarezinho”, conclui.


