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Resolução do PSOL: Luta pela aprovação do fim da escala 6×1 é prioridade absoluta

A Executiva Nacional do PSOL se reuniu nesta quarta-feira (11) e aprovou uma resolução sobre a conjuntura política nacional em que reafirma a luta pelo fim da escala 6×1 como prioridade absoluta do partido para o ano de 2026. Pauta deu sinais de avanço no Congresso Nacional, com o encaminhamento da PEC que acaba com este modelo de trabalho, de autoria da deputada federal Erika Hilton ao lado do movimento VAT, à deliberação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

As eleições brasileiras deste ano também foram tema dos debates e o PSOL avalia que deve ter papel ativo e protagonista. Para isso, o partido apresentará uma agenda política que seja capaz de renovar e fortalecer a aliança com o presidente Lula, para reelegê-lo em 2026, ao mesmo tempo em que disputa corações e mentes em torno de um projeto político anticapitalista, popular e socialista.

A defesa da soberania nacional como um dos temas políticos centrais de 2026, com a expectativa de interferências diretas de Donald Trump no processo eleitoral brasileiro e de outros países latino-americanos neste ano, assim como o enfrentamento à extrema-direita e ao Centrão que hegemonizam o Congresso Nacional com uma agenda política inimiga dos interesses do povo, também estiveram entre os debates centrais da Executiva do PSOL.

O partido também reafirmou seu compromisso com as lutas dos povos indígenas, manifestando apoio à luta protagonizada pelos povos indígenas em defesa do Rio Tapajós e reconhecendo os esforços dos ministros Guilherme Boulos e Sônia Guajajara para garantir que as comunidades fossem escutadas.

Leia abaixo a íntegra da resolução de conjuntura nacional da Executiva Nacional do PSOL:

CONJUNTURA NACIONAL

O Brasil e a América Latina vivenciaram, já nos primeiros dias de 2026, um dos mais recentes e brutais ataques à soberania da região nos últimos 50 anos. O ataque à Venezuela é de extrema gravidade e evidencia a ofensiva da extrema-direita imperialista no sentido de reativar práticas de intervenção direta sobre os povos latino-americanos. Reafirmamos nossa solidariedade irrestrita à Venezuela e a Cuba, bem como a defesa incondicional do direito à autodeterminação dos povos. Abaixo o imperialismo!

A conjuntura internacional permanece marcada por forte instabilidade. A influência de Donald Trump sobre a política global — e, em especial, sua capacidade de interferir indiretamente no processo político e eleitoral brasileiro — constitui um fator permanente de tensão. As experiências recentes da Argentina e de Honduras demonstram como avanços democráticos podem ser rapidamente revertidos em contextos de polarização social, crise econômica e interferência externa, servindo como alerta para o Brasil e para toda a região.

No plano nacional, apesar da instabilidade internacional, há elementos que apontam para uma melhora relativa da situação econômica e social. O controle da inflação dos alimentos trouxe alívio ao cotidiano da população, sobretudo entre os setores mais vulneráveis. A retomada da pauta da soberania nacional, impulsionada pelo tarifaço imposto por Donald Trump, recolocou no centro do debate público os limites da dependência externa e a necessidade de fortalecer a autonomia econômica e política do país. Os indicadores econômicos apontam para uma recuperação significativa, e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais contribui para um cenário de maior otimismo em relação ao governo Lula, que lidera a corrida presidencial em todos os cenários apontados pelas pesquisas.

No campo político, a prisão de Jair Bolsonaro provocou, em um primeiro momento, a fragmentação do campo da extrema-direita. Entretanto, esse setor segue em processo de reorganização. A candidatura de Flávio Bolsonaro desponta como um dos principais nomes capazes de disputar o campo conservador, enquanto outras candidaturas de direita permanecem fragmentadas e sem capacidade de se consolidar como alternativa viável até o momento.

Apesar da derrota eleitoral da extrema-direita, o centrão e esse campo político seguem hegemonizando a agenda do Congresso Nacional nos últimos três anos, impondo pautas desconectadas das demandas populares e da vontade expressa nas urnas. Propostas como a PEC da Blindagem e o PL da Dosimetria expressam esse projeto de bloqueio institucional, corretamente enfrentado pelo veto presidencial no dia 8 de janeiro. Trata-se de um Congresso inimigo do povo, marcado pelo fisiologismo e pela corrupção, que atua sistematicamente para limitar avanços sociais e democráticos.

Diante desse cenário, avaliamos que o país vive um equilíbrio frágil. Essa situação exige cautela, mas não permite a paralisia política. A unidade das forças democráticas, a resistência organizada, a mobilização popular e a disputa cultural são elementos centrais para enfrentar a conjuntura e impedir retrocessos.

Nesse sentido, o PSOL deve cumprir um papel ativo e protagonista. É fundamental que o partido apresente uma agenda política capaz de renovar e fortalecer a aliança com o presidente Lula e com a frente democrática, ao mesmo tempo em que disputa corações e mentes em torno de um projeto político anticapitalista, popular e socialista.

O PSOL reafirma seu compromisso histórico com a defesa do meio ambiente, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Nesse sentido, acompanha às preocupações dos povos indígenas e das comunidades tradicionais do entorno do Rio Tapajós. O PSOL apoia a luta protagonizada pelo povos indígenas em defesa do Rio Tapajos, e reconhece o esforço do Ministro Guilherme Boulos e da Ministra Sônia Guajajara, no sentido de abrir o diálogo e garantir que os povos indígenas sejam escutados.A defesa dos rios da Amazônia, como o Tapajós, o Madeira e o Tocantins é a luta pelo bem viver e condição para um futuro digno em que ninguém fica pra trás.

O PSOL deve ser linha de frente na luta pelo fim da escala 6×1, atuando com prioridade absoluta pela aprovação da PEC que encerra esse modelo de exploração do trabalho. Além disso, diante do desafio de superar a cláusula de barreira, é imprescindível que as direções estaduais fortaleçam as chapas proporcionais para a Câmara dos Deputados, buscando lideranças políticas, militantes, ativistas e figuras públicas comprometidas com o projeto do partido e capazes de contribuir para o fortalecimento eleitoral e político do PSOL.

Executiva Nacional do PSOL
11 de fevereiro de 2026

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