A colunista Berenice Seara, do Extra, publicou hoje – em nota claramente maledicente e desrespeitosa – que não prestei contas das doações e dos gastos em campanha, e que, apesar disto, faço distribuição de panfletos e adesivos. Ela inclusive insinua (e nem é nas entrelinhas!) alguma relação entre isto e meu patrimônio declarado (do qual, parte é a dívida de um apartamento financiado a perder de vista e em prestações que qualquer profissional com salário semelhante ao meu pode pagar com seu trabalho). A tal jornalista literalmente “joga para a platéia”, mas não dá as informações necessárias ao entendimento do processo de prestação de contas, já que isto inviabilizaria o factoide e as insinuações movidas a má fé e preconceito.
Se ela achou melhor não explicar, deixem que eu explico como funciona a prestação de contas da campanha: os números divulgados pelo TSE são uma prévia dos dados enviados até agosto. O período para a prestação está aberto até novembro, e, nele, são registradas as receitas vindas de depósitos em conta corrente e doações de materiais ou trabalho, cujo valor é estimado em dinheiro. Em minha campanha, as doações pela internet são feitas por cartões de crédito, ou seja, levam 30 dias para serem efetivamente depositadas em conta, e por isto não entraram naquela parcial.
A gráfica que hoje imprime todo o meu material está trabalhando com faturamento A VENCER, ou seja, ela me entrega o material e só recebe mais à frente. Portanto, os pagamentos de serviços gráficos não ocorreram até a data da primeira parcial (o que é fácil deduzir!). Meus parceiros, que tem doado seu trabalho na produção destes materiais, também apresentarão seus recibos de doação de bens ou serviços estimáveis em dinheiro no final da campanha, e constarão todos da próxima divulgação das contas das campanhas por parte do TSE.
Minha campanha não possui muitos recursos. Não aceitamos doações de quem, lá na frente, vá querer algum tipo de benefício. As doações que recebi são de quem acredita na força deste mandato e em tudo o que ele ainda irá realizar.
Quando um/a candidato/a é financiado pela Friboi, o Itaú, as igrejas fundamentalistas e/ou as empreiteiras que fizeram os estádios da Copa e controlam o transporte público, ele/ela começa a campanha com muito dinheiro na conta. Muito mesmo. No meu caso, eu comecei em julho sem um tostão. Toda a minha campanha é financiada por cidadãos e cidadãs que fizeram doações pela Internet com cartão de crédito ou em cheque durante comícios domésticos em casa de família, por contribuições de alguns amigos da arte e da cultura, pequenos eventos de arrecadação de fundos e doações de militantes do Psol. Esse dinheiro, que não chega a 1% do que está sendo gasto pelos candidatos que o Extra não investiga (por que será?), vai entrando na conta aos poucos, já que a maioria das doações (que felizmente são muitas, porque há muita gente de bem engajada com a minha campanha) não passa de 50 reais cada uma. Hoje já temos 33 mil reais para pagar nossos fornecedores, e contamos com a ajuda de tod@s para cobrir todos os gastos de campanha. Você também pode doar!
Por financiar minha campanha dessa forma, quando ela começou, eu nem panfletos tinha. Os militantes me perguntavam por isso, preocupados. Os primeiros panfletos foram impressos 15 dias depois do começo da campanha quando conseguimos orçamento numa gráfica que aceitava receber o pagamento com um prazo maior. Ao lado de outras campanhas (inclusive da maioria dos deputados que concorrem à reeleição), eu tenho poucos panfletos, poucos adesivos, poucas bandeiras e pouquíssimas placas (apenas em casas de simpatizantes, porque não pago por isso). A arte de todos os materiais, da mesma maneira que a produção dos programas de TV foi feita pela equipe do meu amigo Sergio Guerra de forma absolutamente gratuita e por militantes que fazem parte do meu mandato. Essa doação de força de trabalho, logicamente, constará na prestação de contas que eu devo realizar até o dia 5 de novembro.
Nas primeiras prestações de contas parciais de julho e agosto não constavam as doações a que me referi acima (só constava uma de 1.000 reais de um casal de amigas engajadas na luta pelo casamento igualitário) por um motivo simples: ainda não tinham entrado na conta. Algumas pessoas já tinham doado pela Internet, mas os cartões de crédito ainda não tinham liberado os fundos. Isso é fácil de comprovar com um extrato bancário. Da mesma forma, os (poucos) panfletos que já estão na rua ainda não tinham sido pagos (e a maioria ainda não foi, porque ainda não tenho fundos suficientes). O que eu mais ouço da minha equipe de campanha é “Jean, temos pouco material”. Pois é. E mais: o título diz que eu afirmei ter gasto menos de 20 reais com a campanha, mas abaixo, na descrição, consta como taxas bancárias. Não é preciso refletir muito para concluir que eu, naquela parcial, não declarei ter gasto apenas 20 reais. Eu não declarei gasto algum de campanha, apenas o gasto da manutenção da conta corrente.
Nossa prestação de contas vai além da oficial, apresentada ao TSE: faremos aqui, item por item, o detalhamento de nossos gastos e receitas, um compromisso assumido desde o começo da campanha.
Se o Extra e sua colunista não quisessem, com a nota, causar algum tipo de desgaste às vésperas da eleição, teriam ao menos informado ao leitor sobre as regras e períodos da prestação de contas. E teriam me procurado ou à minha assessoria ANTES de publicar essa matéria tendenciosa para a qual não fui ouvido. Só ligaram depois de publicar. E a jornalista disse, logo de entrada: “Não é homofobia”. Claro que não… sei…
Sem honestidade fica difícil, Extra!

