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Seja bem vindo, 2013!

O jornalista Zuenir Ventura imortalizou 1968 como o ano que não acabou, tamanha a força e a profundidade das manifestações que abalaram os pilares do status quo à época. Das barricadas nas ruas de Paris no Maio Francês, passando pela Primavera de Praga enfrentando os tanques soviéticos, pela luta contra a guerra no Vietnã nas cidades dos Estados Unidos, ou pela queima de sutiãs por uma marcha de mulheres em Atlantic City, pela luta dos negros liderados pelo Pastor Martin Luther King, ou ainda pelos movimentos no Brasil, que envolviam política e arte, como o Tropicalismo, já se sabia que o mundo estava parindo um novo jeito de ser e de se ver. Aquele ano não tinha como acabar num 31 de dezembro. 

1968, contudo, certamente não foi uma invenção de seu tempo. Estavam ali presentes as energias que embalaram as revoluções burguesas séculos atrás, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, frustrados na sua magnitude pela própria burguesia no poder. As forças vivas da história quiseram que estas energias emergissem à superfície da sociedade mundial novamente no ano de 2013, com mais saliência nos países árabes e do norte da África, na Europa, nas Américas, no Brasil.

O sociólogo Léo Lince, dos quadros mais importantes do PSOL, socialista de olhar aguçado, fez uma brilhante compilação de outros olhares sobre o que poderia estar se passando nestes eventos. Foi a Henri Lefebvre para nos contar sobre os conceitos de Irrupção Contestatória e Fim de Ciclo, e à Gramsci para nos falar de outro, Interregno. Seria a sociedade dizendo um sonoro não ao que existe, sem ainda ter construído um sim possível de ser chamado de amplo consenso na nova consciência social que emerge.

Poderíamos, então, estar diante de uma situação em que o contrato social, até então aceito ou suportado, estaria sendo picotado no meio das ruas e praças, majoritariamente por atores juvenis, que não aceitam mais a conservação de um mundo velho e que não lhes aponta um futuro de emancipação. É um pouco a opinião do intelectual militante, professor da UFPE, Michel Zaidan, para quem estaríamos diante da emergência de um novo contrato social.

É bem provável que seja tudo isto mesmo. E torço para que seja. Que 2013 tenha sido o que foi 1968. Que não acabe, portanto. Que continue e se renove, para dar “rolezinhos” nos anos que virão, para contradizer em termos esta passagem creditada a Drummond: “quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”. 

2013 não nos deixou exaustos e nem querendo entregar os pontos, e nem ingênuos a ponto de acreditar que daqui pra frente pode ser diferente sem o nosso protagonismo. Queremos é mais 2013! Seja bem vindo! 

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