Recém excomungado da Igreja Católica por criticar algumas posturas conservadoras da Igreja, Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, é um dos palestrantes do evento. Segundo ele, a discussão que o seminário propõe está em sintonia com a ideia de que essas posturas precisam ser revisitadas para que as liberdades individuais sejam respeitadas. “A religião cristã é um caminho de transcendência que não se choca de maneira alguma com a sexualidade. Pelo contrário, para viver o amor cristão é necessário o reconhecimento e o respeito à diversidade sexual”, diz.
O seminário foi proposto pelos deputados Paulão (PT-AL) e Jean Wyllys (Psol-RJ). Para Wyllys, abrir esse debate para a sociedade, principalmente aos agentes do setor da religião, “é imprescindível nesse momento em que o fundamentalismo vem tolhendo os espaços de discussão dos direitos de minorias”. “O seminário será um espaço para debater, dialogar, e aprender com líderes religiosos e especialistas como um direito constitucional – de liberdade de crença – se relaciona com outras garantias constitucionais, partindo da compreensão da própria forma como essas instituições religiosas encaram questões concernentes à orientação sexual e/ou identidade de gênero dos indivíduos”, afirma o parlamentar.
Sociedade plural
Wyllys ressalta que, por ser a sociedade brasileira formada por diferentes modos de vida, diferentes religiões, e conter agnósticos e ateístas, o estado deve assegurar a cada cidadão a liberdade de crença, de não crença, e o direito de livre expressão da sua orientação sexual e da sua identidade de gênero.
O seminário teve início por volta das 9h e segue nesta tarde, no auditório Nereu Ramos, com a mesa “Religião e Diversidades” (Como trabalhar as diferenças culturais para a garantia de um Estado Laico?)”.

