Um sessão solene realizada na manhã desta quinta-feira (22) no plenário da Câmara dos Deputados homenageou a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, assassinados no Rio de Janeiro na semana passada. O ato, de iniciativa da bancada do PSOL com apoio de deputados de outros partidos, também lembrou os 434 desaparecidos durante a ditadura civil/militar.
A sessão marcou a primeira celebração no Brasil do Dia Internacional do Direito à Verdade sobre Graves Violações aos Direitos Humanos e da Dignidade das Vítimas, instituído pela Nações Unidas no dia 24 de março. A data foi incluída no calendário brasileiro de datas comemorativas pela Lei 13.605/18, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) e outros parlamentares. No dia 24 de março de 1980, foi assassinado o bispo de El Salvador Dom Oscar Romero, enquanto celebrava uma missa.
Erundina, que pediu a sessão, salientou que, no Brasil, ainda não foi revelada a verdade sobre os 434 desaparecidos durante a ditadura. O número consta no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, finalizado em 2014. “Até agora os poderes da República nada fizeram para dar cumprimento às 29 recomendações da Comissão Nacional da Verdade”, apontou.
A parlamentar ressaltou que o atual cenário brasileiro é de graves violações aos direitos humanos, incluindo o assassinato diários de jovens negros na periferia, de indígenas e a violência doméstica. “Quase a totalidade desses crimes fica impune no Brasil, sob o olhar indiferente e conivente das autoridades de plantão”, disse. Ela cobrou a imediata investigação pela morte de Marielle e de Anderson e rigorosa punição dos responsáveis.

A sessão solene também contou com as presenças da irmã e da companheira de Marielle, Anielle Silva Barboza e Mônica Benício, respectivamente. “A Marielle tinha urgência de vida e pulsava luta, e isso está sendo demonstrado no Brasil e no mundo. Isso não pode ser calado com a morte dela. A luta dela não terminou com a morte dela, com a ausência física dela”, disse Mônica. “A Marielle se transformou numa coisa muito maior, num símbolo da esperança”.
Já a irmã da vereadora afirmou que o assassinato de Marielle era a única forma de calá-la. “A gente urge por justiça”, destacou Anielle.
Também participaram da sessão os deputados Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP), Jean Wyllys (RJ), Edmilson Rodrigues (PA) e Glauber Braga (RJ) e a vereadora do PSOL em Niterói, Talíria Petrone.

Confira a fala de Mônica e Anielle, na sessão solene.
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