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CID BENJAMIN: Sobre ética e ilegalidade

Nem tudo antiético é ilegal ou criminoso. Há atividades nas quais a lei não é violada, e não há margem para condenação penal, mas que não são recomendáveis do ponto de vista ético.
Nos nossos tempos é desnecessário insistir na atualidade e na importância dessa reflexão. Em particular quando estão em jogo figuras políticas de alto coturno.
Vejamos o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua relação com empreiteiras, em particular com a maior delas, a Odebrecht.
Lula não nega ter defendido interesses da Odebrecht no exterior. Afirma, no entanto, que esses interesses coincidem com os do Brasil.
Por sua vez, a imprensa noticia a comprovação do pagamento de, pelo menos, R$ 4 milhões da Odebrecht para Lula. Ele seria remuneração por palestras do ex-presidente em países africanos e latino-americanos. Lula viajou em jatinhos da empreiteira e sempre em companhia de um de seus diretores, Alexandrino Alencar, até recentemente preso como acusado na Operação Lava-Jato. Em muitos casos, aproveitou para manter reuniões relacionadas com negócios da Odebrecht com dirigentes dos países visitados.
Lula sustenta que a atividade que exerce é legal e dá como exemplo o fato de ela ser desenvolvida por ex-presidentes norte-americanos. Nega que seja lobista e afirma que o dinheiro que recebe da Odebrecht é remuneração por palestras.
Claro que as palestras, regiamente pagas pela Odebrecht, podem ser uma forma de justificar a remuneração pelo trabalho de lobby. Mas seria preciso provar isso.
Lula nega, também, que tenha feito tráfico de influência no BNDES para liberar financiamentos para a Odebrecht. De fato, isso até pode ter ocorrido, mas até agora não foi comprovado.
Lula afirma, ainda, que sua aproximação com a Odebrecht se deu depois que deixou a Presidência. Há emails de diretores da empreiteira cujas datas contradizem a afirmação. Esses emails se referem a ele como “PR” e falam explicitamente de lobby. Mas, também aqui, é a palavra de um contra a do outro.
Existem, também, emails de diretores da Odebrecht que orientam Lula sobre o que dizer em reuniões com mandatários de outros países. Mas o ex-presidente receber conselhos de quem quer que seja tampouco é ilegalidade.
Enfim, algo cheira mal, mas é preciso reconhecer: até agora não se comprovou que Lula tenha cometido crime nas suas relações com empreiteiras, em particular com a Odebrecht.
De qualquer forma, vale uma lembrança. Ao estreitar as relações com grandes corporações econômicas americanas, sendo remunerado por elas, o ex-presidente Carter – o maior exemplo em que se apoia Lula para justificar o que faz – abandonou a política.
É como disse o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica: “Quem quiser ganhar dinheiro, que o faça. Mas longe da política”.
Fica, então, a pergunta: não seria o caso de Lula escolher? Ou segue atuando como líder político, deixando de lado negócios com empreiteiras, ou continua a se dedicar a esses últimos, mas deixando de lado a política?

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