O governo federal pretende acelerar a liberação de recursos aos deputados que se comprometerem a votar a favor da reforma da Previdência. A orientação dada aos ministros, segundo a Folha de S. Paulo, é de que cerca de 330 deputados sejam privilegiados na distribuição de verbas para bancar obras e projetos das bases eleitorais dos parlamentares. A orientação partiu de Michel Temer em reunião com seus ministros nesta segunda-feira (8/05).
Estima-se que os projetos indicados por esses parlamentares ainda têm R$ 1,9 bilhão a receber até o fim do ano —média de quase R$ 6 milhões para cada um. A ideia, ainda segundo a Folha, é pagar parte nas próximas três semanas para reduzir a resistência dos deputados na votação.
Já é a terceira vez que o presidente ilegítimo tenta convencer os congressistas aliados a partir da liberação de verbas, chamadas emendas parlamentares. Na primeira, o total pago à base chegou a R$ 800 milhões. Cerca de um mês depois, Temer anunciou a liberação de 1,8 bi.
O toma-lá-dá-cá do Planalto indica o desespero para aprovar a PEC 287/16, que representa, na prática, a perda de direitos trabalhistas e o desmonte da previdência pública. Para Temer, a troca de favores é a única alternativa para aprovar a reforma, uma vez que há ampla rejeição da população a esse projeto, comprovada através de pesquisas e grandes mobilizações sociais. Além disso, a maioria dos deputados – pressionados por sua base – estão se posicionando contra a proposta.

