Jornalistas e radialistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entraram em greve desde a zero hora desta terça-feira (14/11), em protesto à proposta apresentada pela direção da empresa de congelamento dos salários, de retirada de direitos e de corte de benefícios do Acordo Coletivo de Trabalho 2017/2018. Os trabalhadores também estão paralisados em defesa da comunicação pública e contra o desmonte da empresa, que vem sendo promovido no último período pelo governo de Michel Temer.
A decisão foi tomada na última sexta-feira (10/11), em assembleia nacional da campanha salarial, com a presença de funcionários das praças de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Maranhão, com 262 votos a favor da greve, 14 votos por nova assembleia na quinta-feira (16) e nove abstenções.
A data-base das categorias é 1º de novembro. Jornalistas e radialistas reivindicam 4% de reajuste para repor a inflação do período e perdas acumuladas. Porém, após oito rodadas de negociação, a direção da EBC não aceita reajustar nenhuma das cláusulas econômicas e afirma que não vai avançar em relação à proposta de 0%. Além dos salários, os trabalhadores ficariam sem reajuste em benefícios como ajuda-alimentação, auxílio às pessoas com deficiência, auxílio-creche e seguro de vida em grupo.
No “pacote de maldades” da empresa também estão ataques ao vale cesta-alimentação (pago somente em dezembro e junho), à garantia de translado aos trabalhadores por questões de segurança, à complementação de auxílio previdenciário, à realização de homologações das rescisões de contrato nos sindicatos, ao vale-cultura, à multa pelo descumprimento do acordo coletivo.

O coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF (SJPDF) Gésio Passos afirma que a greve, a terceira feita pelos trabalhadores da empresa (sendo uma em 2013 e outra em 2015) é a demonstração de que a categoria não vai aceitar a intransigência da empresa em relação aos seus direitos. “Os trabalhadores cansaram da humilhação imposta pela direção. É corte de benefícios, é censura, é assédio. A greve é arma em defesa da EBC”, destaca o dirigente, que é repórter da Rádio Nacional de Brasília.
A EBC é a única empresa nacional de comunicação pública, sendo responsável pela TV Brasil, TV Brasil Internacional, Agência Brasil, Portal EBC, Radioagência Nacional, além de oito emissoras de rádio, como as Rádios Nacional do Rio de Janeiro e de Brasília e as Rádios MEC AM e FM. Opera também serviços como o canal de televisão NBr e o programa de rádio “Voz do Brasil”.
O PSOL, conforme se posicionou nas greves anteriores, apoia a luta dos funcionários da EBC, que não têm se calado diante do desmonte que o governo vem promovendo contra a comunicação pública. O movimento dos jornalistas e radialistas é legítimo e acontece num momento em que Temer e sua base de apoio no Congresso Nacional acabam com os direitos dos trabalhadores, em escala brutal. Defender a greve dos trabalhadores da EBC, é defender também a luta pela democratização da comunicação e contra o monopólio das grandes empresas que controlam a mídia privada no país.

