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‘Única alternativa para a falta d´água em SP é rezar’

A população de São Paulo vai percebendo que passou por um verdadeiro estelionato eleitoral. A falta de água que já atinge mais de 13 milhões de pessoas em 68 cidades, demonstra de forma clara que o discurso de Geraldo Alckmin, minimizando os problemas de abastecimento e afirmando que não faltaria água, se configurou como uma grande mentira, para garantir sua eleição. Ao que parece, esse estelionato continuará, pelo menos até o segundo turno das eleições presidenciais, mas a população já esta sentido na pele os efeitos dessa irresponsabilidade, e se revoltando com tamanha fraude de nossos governantes.

Desde o começo do ano nosso estado vem sendo assombrado com a possibilidade de ficar sem água, dado a situação crítica nos níveis de armazenamento de água no Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de grande parte da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), e por regular a água que chega à bacia responsável pelo abastecimento de grande parte da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Apesar de estarmos passando por um ano com a situação climática atípica, com poucas chuvas, o verdadeiro culpado por essa situação são os 24 anos de governos tucanos. Não foram feitos os investimentos necessários na ampliação do sistema de captação e armazenamento de água em nosso estado, na redução das perdas na tubulação no caminho entre as Estações de Tratamento de Água (ETA) e as residências e na localização e punição nas grandes captações clandestinas de água, mesmo com diversos alertas de especialistas sobre a incapacidade do atual sistema em atender o crescimento da demanda por água. A grande tônica em relação ao sistema de abastecimento de água no estado de São Paulo é a falta de planejamento. O armazenamento de água é necessário para compensar anos de seca severa, quando ocorrem chuvas abaixo do esperado. Contudo, também podem ocorrer chuvas acima do esperado, como a média de chuvas entre 2009 e 2013, que foi 30% superior que a média histórica.

A verdade, é que há 10 anos, quando o então governador Geraldo Alckmin (o mesmo!) renovou a permissão para a retirada de água no Sistema Cantareira, foi previsto em contrato a busca por novas alternativas, de forma a reduzir a dependência do Sistema Cantareira. Na avaliação do Ministério Público Estadual (MPE), isso não ocorreu, assim como no novo pedido de permissão, se prevê uma retirada de água ainda maior! Outro fato importante está nas perdas nas redes de distribuição. Esse é um problema antigo, nunca solucionado de forma definitiva e que leva embora em média 40% de toda água tratada no país, antes mesmo de chegar às torneiras.

A irresponsabilidade chegou ao ponto máximo com as eleições deste ano! Em que o governador Alckmin,visando sua reeleição, jogou para debaixo do tapete a grave crise hídrica que já ocorria, sempre afirmando de forma cínica que não existia problema e não faltaria água. Passado poucos dias das eleições, vemos que já falta água na torneira da população e há cidades que decretaram estado de emergência.

Em Campinas, o prefeito Jonas Donizette participou ativamente desta falácia tucana para garantir a reeleição de seu aliado no governo estadual. A SANASA escondeu a gravidade da crise da população, sempre negando a necessidade de racionamento de água. Porém, relatos ao longo de 2014 demonstram que ocorreram racionamentos não oficiais diversas vezes na região, principalmente em bairros mais pobres e periféricos. Esta semana, a falta de água chegou a um limite em que a SANASA não mais conseguiu disfarçar, deixando mais de 100 bairros sem água, sempre punindo de forma mais grave as regiões mais pobres. 

Interessante ver que no meio dessa crise, com todas as incertezas que ela causa, não há um pronunciamento sequer do prefeito Jonas Donizette sobre o assunto, demonstrando um total descontrole da situação, além de um descaso com a população em um momento tão grave. A população não aguenta mais, e a revolta já começa a tomar conta dos bairros mais atingidos com a falta de água, como o exemplo do município de Itu, em que as torneiras secas há meses vêm causando reações violentas da população indignada.

Diante desta situação, o professor da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, especialista em recursos hídricos, alerta que a engenharia já esgotou sua capacidade de solucionar a crise de abastecimento de água que atinge o estado de São Paulo, e que só resta aos paulistas apelar para a espiritualidade. “Se não ocorrer chuva, a solução que nós temos no curtíssimo prazo é voltar a fazer novena e procissão pedindo chuva porque a engenharia não dispõe mais de meios.” 

Portanto, cabe tomarmos consciência dessa irresponsabilidade promovida pelos governos, e exigir maior transparência e responsabilidade na gestão da crise. Acesso à água é um direito! 
 

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