O Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou, durante reunião nesta terça-feira (04/07), a política de cotas raciais e de escolas públicas para o vestibular da Fuvest, organizadora das provas que dão acesso a uma das universidades mais importantes e disputadas do país. Com a decisão do órgão máximo de decisão na instituição, os estudantes negros, pardos e indígenas ou que cursaram o ensino médio em escolas públicas poderão disputar o vestibular pelo sistema de cotas. A medida já valerá para o próximo vestibular da Fuvest, mas uma nova resolução deverá ser publicada, antes da publicação do Manual do Candidato da Fuvest, para explicar como essas cotas serão aplicadas.
A meta original de ter 50% de calouros oriundos da rede pública foi definida em 2013 e deveria ter sido cumprida até 2018 tanto pela USP quanto pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Agora, para cumprir a nova meta, as unidades da USP deverão usar a combinação de duas políticas de ação afirmativa: o bônus do Inclusp para candidatos da Fuvest, e as cotas para estudantes de escola pública para candidatos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Em relação às costas raciais, a USP incluirá, dentro da cota de estudante de escola pública, o percentual de cerca de 37%, o equivalente à população preta, parda e indígena do Estado de São Paulo.
Essa decisão, da mesma forma que a ocorrida na Unicamp recentemente, é uma grande vitória das organizações do movimento estudantil e da área da educação, que, ao longo das últimas décadas, vêm lutando para ampliar a política de cotas nas universidades públicas do país. O objetivo a facilitar o acesso da população negra – que é maioria na sociedade brasileira, mas minoria nos espaços de poder – e de estudantes oriundos de escolas públicas a instituições de ensino superior.

