O PSOL acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja apurada a aplicação de R$ 250 mil em emenda parlamentar destinada pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), candidata ao Senado, ao Instituto Viver-Brasil. O instituto é dirigido pela família de Ademar de Sena Sampaio, alvo da Polícia Federal na investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.
A ação foi protocolada na última quinta (24) na ADPF 854, em que o ministro Flávio Dino levou o Supremo a declarar inconstitucional o chamado “orçamento secreto”. Na peça, o partido sustenta que recursos públicos podem ter financiado, de forma direta ou indireta, uma campanha eleitoral disfarçada de publicidade comercial em favor da deputada.
O foco da suspeita está em anúncios instalados em pontos de ônibus de regiões como Samambaia, Guará, Águas Claras, Ceilândia, Riacho Fundo e EPTG. As peças dão destaque ao nome “Bia”, com frases como “Bia é moderna”, “Bia é completa”, “Bia é liberdade” e “Deixa a Bia surpreender você”. Não mostram roupas, preços ou coleções.
A campanha é assinada pela loja Bia Brasil, empresa individual com capital social declarado de R$ 2.000 e sede no Setor Industrial de Taguatinga. A dona é Abinoan Simões Rosa Sampaio, presidente do Instituto Viver-Brasil e mulher de Ademar. Segundo a documentação anexada pelo PSOL, a filha do casal, Camilla Simões de Sena Sampaio, assinou o termo de fomento como diretora executiva da entidade. O pai aparece como responsável pela execução da emenda no relatório de agosto de 2026.
Ademar é assessor no gabinete do deputado distrital Iolando Almeida (MDB-DF). Desde o início de setembro, por decisão de Dino, está proibido de sair do país sem autorização judicial e de manter contato com os demais investigados.
O PSOL quer que o Instituto Viver-Brasil entregue extratos bancários, notas fiscais, contratos, comprovantes de pagamento e a lista de fornecedores e beneficiários finais. Pede também que a Polícia Federal investigue a gestão da emenda e verifique se houve fluxo de recursos entre o instituto e a Bia Brasil.
Como medida cautelar, o partido solicita que, enquanto durar a apuração, a deputada fique impedida de destinar novas emendas à entidade e que o instituto não receba recursos desse tipo. Caso se comprove o uso do dinheiro nos anúncios, o PSOL pede a retirada imediata das peças e a devolução dos valores aos cofres públicos.

