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Ao lado da Venezuela no conflito com a Colômbia

Por Pedro Fuentes

1. Novamente o Estado comandado pelo governo de Uribe montou uma provocação contra a República Bolivariana da Venezuela, apresentando na ONU uma suposta relação direta de apoio às FARC por parte do presidente Chávez e mostrando que esta teria bases em território venezuelano.
A denúncia, baseada em mentiras de todo tipo, é simples: pretender demonstrar que a República Bolivariana está vinculada ao “narco terrorismo”, um qualificativo que segue os cânones ditados pelos EUA na época de Bush, mas que não foi rechaçado e sim, ao contrário, reafirmado sob o governo Obama. Trata-se de uma falsa acusação, que tem objetivo de justificar e preparar uma ofensiva militar da Colômbia, usando os mesmo motivos que usam os EUA para invadir militarmente (há mais de 8 anos) o Afeganistão.

2. Se trata de uma política sistemática orquestrada entre Uribe e EUA, e que vai continuar aplicando seu continuador, Juan Manuel Santos. É preciso descartar as especulações de uma possível mudança com o novo governo. Não é o que faz o governo brasileiro. O novo governo de Juan Manuel Santos, chefe das forças armadas de Uribe que invadiram o Equador , esse chefe militar convertido em presidente, é a continuação do governo Uribe e de sua política. É o mesmo regime, com o mesmo exército, que se formou através da repressão sistemática à resistência popular.
O novo governo teve resultados eleitorais favoráveis porque um importante setor da população não vê outra saída para por fim à violência. É um regime baseado no terrorismo de Estado, num exército pronto para a “ação contra-insurgente”, que massacrou milhares de civis e agora unifica as forças armadas para a sustentação direta dos EUA, mediante sete bases militares instaladas no país. Não se trata de uma análise panfletária. Nos últimos dias, foi descoberto na fronteira com a Venezuela uma fossa comum com centenas de cadáveres. Foram executados ou pelo exército colombiano ou por paramilitares amparados pelo governo. Este fato sinistro, que faz lembrar as práticas do fascismo, mostra a verdadeira face do Estado colombiano. Um Estado que orquestrou a execução de mais de 3 mil lutadores democráticos e sindicalistas nos últimos 5 anos.
Um Estado que pratica a violência sistemática, respaldado e assessorado militarmente pelos EUA. Este Estado, que utiliza o pretexto da suposta convivência com o narcotráfico para cometer barbaridades, e que classificou as FARC como organização terrorista, tem também vínculos diretos com o narcotráfico que domina o país. Os parentes de Uribe fazem parte do cartel Cali, que substituiu o cartel de Medelín, do conhecido traficante Escobar. O governo Juan Manuel Santos não pode dar marcha ré, não pode desmontar estas instituições estatais e paraestatais, porque isso seria suicidar-se.
Por isso, não há possibilidade de mudança, a não ser por uma verdadeira revolução democrática popular que realize transformações profundas na sociedade, a começar por democratizar as forças armadas, desmontar as milícias paramilitares, criar condições para acabar com o narcotráfico incrustado na estrutura do Estado, e estabelecer negociações que possibilitem a reinserção  das FARC na vida política sob um regime democrático.
A prova mais clara de que é impossível mudar este regime por dentro dele mesmo, é que hoje os paramilitares com traços fascistas somam 50 mil.

3. O qualificativo “narco terrorismo” dado às FARC tem o real objetivo de manter essa estrutura estatal militarista que justifica a política paramilitar interna, que vá mais além da guerra com as FARC, contra qualquer resistência interna às políticas Uribistas. E fundamentalmente é uma política associada ao imperialismo que tem sob sua mira a Venezuela, país onde o processo revolucionário adotou políticas radicais contra o neoliberalismo e se afirmou independente ao imperialismo. Colômbia é o segundo país que serve de base militar externa dos EUA, depois de Israel. O acordo semi-secreto que determina as sete bases militares americanas na Colômbia permite a atuação destas para além das fronteiras colombianas.

4. A violência na Colômbia já leva mais de 60 anos. Primeiro a guerra civil levada adiante pela oligarquia conservadora contra os camponeses vinculados ao Partido Liberal, depois contra os grupos guerrilheiros que atuavam no campo. A única saída a essa violência é uma verdadeira paz negociada que permita a reinserção política das FARC e outras forças insurgentes. Mas somente uma mudança promovida pela própria sociedade civil que pode levar a cabo esta tarefa. É também a única saída para as FARC, e a forma como essa organização pode colaborar com o processo é através de uma política que permita ao povo defender a paz e a negociação.

5. Neste contexto, as medidas tomadas pelo governo bolivariano de Chavez são uma legítima resposta contra a provocação montada, como uma espada de Democles sobre a Venezuela. A resposta de todos os governos e dos povos latino americanos deve ser a defesa da soberania política da Venezuela contra qualquer ameaça ou eventual ataque dos EUA e seu títere colombiano. É preciso solidarizar-nos com os setores colombianos que buscam uma saída negociada para o conflito armado.
Ao mesmo tempo todos os países que fazem parte da UNASUL devem exigir a retirada das bases norte-americanas da Colômbia, que hoje apontam para Venezuela, mas que amanhã pode apontar para outros países que busquem independência e soberania.  Com estas bases americanas é impossível assegurar que não haja agressões. Só haverá autodeterminação dos nossos povos com um novo regime na Colômbia, e sem bases ianques na região.

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