Ao contrário do que parece tentam convencer, mídia e direção
majoritária do sindicato, como uma acachapante vitória, a situação
ainda é crítica.
Fui reintegrado, e apezar de as demais retaliações à organização de
defesa dos trabalhadores, como o desligamento dos outros diretores,
Altino do PSTU e Almir Castro da CSC e do presidente da Fenametro do PC
do B, Wagner Fajardo fossem revertidas, nada temos muito a comemorar.
Na quinta-feira, aproveitando minha folga no posto de serviço e
acatando decisão de assembléia da categoria, distribuímos um jornal do
usuário, informando aos passageiros do metrô sobre os ataques do
governo do Estado de S. Paulo aos direitos e conquistas da categoria
também como a maracutaia da concessão da linha 4 à iniciativa privada,
nos moldes das PPPs federais (parcerias público privadas, lei de Lulla
mas esta parte omitida pela direção majoritária do sindicato pela
política de defesa do governo), indo em seguida à minha base de
operadores de trens, na linha 1 Azul, garantir o cumprimento da
operação com restrição de velocidade dos trens na linha das 9 às 16
horas, como forma de protesto e demonstração de organização dos
trabalhadores, tendo nova assembléia à noite onde aprovamos uma
paralização no dia 18 quando estava previsto a tentativa da empresa em
começar treinamento de novos operadores em regime diferenciado de 40
horas semanais, vez que nossa luta entre os operadores fora os ataques
gerais à categoria, é pela manutenção do atual acordo para as escalas
de revezamento, de 35 horas semanais no nosso local de trabalho, vez
que as demais áreas da operação perderam esta como outras conquistas,
como a hora extra programada noturna, sem no entanto, embora tenhamos à
época alertado, termos quanto à sindicato, feito qualquer tentativa de
organização de defesa.
Nessa assembléia de quinta, o Alexandre Leme (PSTU), propôs, sendo
aprovado, a retirada de uniforme, acompanhando o resto da operação,
também no CCO, posto de trabalho importantíssimo tanto na hierarquia da
empresa como no controle da operação, local de trabalho do camarada
Pasin, da onde a empresa comanda toda a operação comercial.
Na sexta-feira, fui à linha 3 Vermelha (Itaquera) devido a ameaça de
suspensão de 4 operadores daquela linha devido ao cumprimento da
deliberação da assembléia por realizarem a restrição de velocidade,
quando, de casa recebi telefonema de que o metrô havia mandado um
telegrama informando-me sobre a suspensão do meu contrato de trabalho,
para apuração de falta grave em inquérito judicial, por incitamento ao
descumprimento do procedimento de trabalho. Naquele momento, também
correu a informação de que o companheiro Altino, também diretor da base
linha Azul, havia sido demitido.
Os operadores do CCO começaram o turno sem uniforme mas diante da
pressão da empresa e dos acontecimentos puseram antes do fim do
primeiro turno o uniforme.
Os operadores da linha Azul imediatamente quiseram parar o sistema e
ficaram aguardando por algumas horas confirmação dos operadores da
linha Vermelha para deflagração do movimento.
Entre informações desencontradas entre a imediata paralisação ou não
do sistema, estabelecemos que faríamos uma assembléia extraordinária à
tarde para definirmos de forma uniforme nossa reação.
O secretário geral do sindicato, ligado à Articulação, Boquinha,
segundo informes dos companheiros da base, foi conversar com os
operadores alertando sobre os riscos de mais demissões caso paracem
naquele momento, e segundo consta, o presidente do sindicato, Godoy, da
CSC e o outro diretor demitido da nossa base, Almir, também do PC do B,
abordaram os trabalhadores neste sentido, dizendo que nem todo mundo
estava a fim de parar naquele momento, que na outra linha o sentimento
era diferente, fazendo um papel no mínimo ambíguo, vez que em público
defendiam a mobilização.
Nesse interím o patio Jabaquara, base do Serjão, parou às 15 horas,
fizeram uma assembléia setorial e ficaram de sobreaviso caso os
operadores parassem para dar uma força na mobilização, tudo isto numa
sexta-feira fatídica à tarde.
Os operadores da linha Azul, na assembléia extraordinária de sexta,
estavam dispostos a rasgar a carteira do sindicato caso sentissem
"corpo mole" por parte da direção majoritária e defendiam a imediata
paralisação do distema.
Na minha intervenção, ponderei que a paralisação do distema numa
sexta-feira à tarde não causaria um impacto tão grande ao metrô, que
prosseguiria o terrorismo dos telegramas de demissão no fim de semana
principalmente na área que é o pilar da resistência da categoria, os
operadores de trens, que seriam os únicos responsáveis pela falta de
metrô, quando a cidade tem condição de absorver o transporte das
pessoas sem o metrô, vez que bancos, repartições públicas e escolas
estariam fechados, propondo que organizássemos o movimento domingo à
noite para segunda-feira, sendo convencido pela direção majoritária do
sindicato de que seria melhor avisar a população, para não tê-la contra
a categoria, na segunda e fazer a greve na terça (embora defendessem
esta posição diante dos operadores enfurecidos, sendo que na conversa
individual na categoria tentassem caracterizar o movimento como
setorizado). Comprovando a teoria do corpo mole por parte da direção
majoritária, não fosse a determinação do companheiro Cavalcante,
diretor de base da manutenção do patio Itaquera e do nosso grupo
Alternativa em se deslocar para o sindicato no domingo para forçar a
elaboração da carta aberta à população anunciando a greve e seus
motivos, a secretaria de imprensa, na figura do Xavier (CSC/PS do B)
alegava a impossibilidade de realização do trabalho visto que a
jornalista e a diagramadora estariam de folga no fim de semana.
Na setorial da manutenção noturna, no patio Jabaquara, o companheiro
anarquista da Alternativa Roldan promoveu uma reunião setorial com os
trabalhadores para a discussão do problema quando teve a triste
surpresa da participação de um companheiro conhecido como Buiú, da
Articulação, promovendo franco terrorismo contra qualquer reação dos
trabalhadores tentando convencer os trabalhadores de que o movimento
era setorizado, de que se tratava de batalha política dentro da
categoria e que se quiséssemos derrotar a posição da direção
majoritária do sindicato deveríamos esperar as próximas eleições e que
uma eventual greve poria mais pais de família na rua.
Na segunda-feira, discutindo na base com o supervisor geral, o mesmo
foi franco quando disse que brigávamos contra uma tendência mundial,
que as coisas eram daquele jeito mesmo, que as flexibilizações são
exigências do mercado, defendeu o Taylorismo e atacou a fragilidade do
sindicato que não teria a mesma opinião, apontando inclusive as
divergências políticas no sindicato, clara alusão ao nosso grupo que é
francamente (pelo menos quase todos) contra o governo Lulla em
contrapartida a direção majoritária do sindicato, defensores do
governo, e sabendo que até entre nós, no campo mais à esquerda, temos
divergências, com alguns defendendo a ferramenta do governo que é a CUT
e os outros que são favoráveis a organização da resistência que é a
Conlutas. Na setorial do patio Jabaquara soubemos que o Wagner Fajardo,
que estava realizando um congresso da direção da Fenametro, que mal
passara no dia de luta e mobilização na nossa área, também estava
demitido, quando passei a desconfiar da pizza que estava sendo montada
por não fazer o menor sentido a empresa perseguir seus interlocutores
com os trabalhadores, prediletos, pelo caráter conciliador
(amortecedor) que eles representam.
A reunião com a direção da empresa que estava agendada para a manhã
foi transferida para a tarde sob a alegação de que o Fraser David
estava com o Alckmin na Bahia e só chegaria no horário previsto para
assembléia de organização da greve.
A categoria compareceu em peso, notadamente os operadores de trens.
Tentamos conversar com os operadores reunindo-os um pouco antes da
assembléia oficialmente dar início, quando um pequeno grupo (uns 6) da
linha Vermelha defenderam a não realização da greve, relembrando 88
(quando a categoria sofreu o maior revés durante enfrentamento com mais
de 300 demitidos, quando a maioria sob a bandeira do PT do sindicato
apoiava Erundida quando acabou derrotando o candidato do Quércia, João
Leiva) quando quase apanharam dos demais operadores de trens,
notadamente os companheiros da linha Azul, evidenciando que o discurso
do terrorismo, feito à boca pequena por militantes engajados nas
correntes majoritárias do sindicato, em alguns setores acabou fazendo
estrago.
Lá pelas 9 da noite, o sindicato cheio (inclusive com o Wagner
Gomes, que outrora tido combativo como presidente do sindicato, me
interpelou anteriormente: "só por causa do trabalho no sábado vocês
estão fazendo este estardalhaço todo. não dá para chegar num acordo?"),
o parlamentar estadual petista Simão Dias) chegou a comissão que foi
ter com a direção do metrô, com a seguinte proposta: "Extinção das
punições (suspensões e demissões de dirigentes sindicais) desde que
suspendêssemos a greve e dentre outras coisas, uma extranha proposta
que impunha que o sindicato se comprometesse a não realizar nenhuma
mobilização no prazo de 60 dias.
Minha intervenção na assembléia, além de agradecimento à categoria
pela força e mobilização, mas em especialmente para minha base, os
operadores de trens da linha Azul que parariam de qualquer maneira,
indiferentemente da posição que fosse tomada na assembléia, se nós não
fossemos reintegrados, foi de que, indiferentemente do meu retorno,
este ítem, nos comprometendo a não nos mobilizarmos com prazo marcado
seria suicidio, que em 60 dias o governo poderia fazer de nós gato e
sapato (o leilão da licitação de concessão das novas linhas do metrô
esta programado para o dia 19 e o objetivo da empresa é claro, não quer
que denunciemos a maracutaia à população, além do que Aldo Rebelo,
chefe do povo da CSC e Marinho, chefe da articulação defenderam
recentemente abertamente as tais parcerias propostas pela lei federal)
pois, não colocaram o bode de nosso afastamento no elevador e propôe
retirá-lo amordaçando nossa boca em relação aos problemas que se
perpetuam.
Reintegrados, festa na base, mas a preocupação permanece pois os ataques também permanecem.
Nossa demissão significaria também a queda da máscara de democrata
do Alckmin pois perseguição descarada ao trabalho sindical embassaria
um pouco a imagem trabalhada de administrador insosso que ele consegue
vender.
O que podemos contabilizar de positivo é que o governo tem o maior
medo de uma paralização do metrô, a cidade não consegue dar conta do
transpore sem o metrô, a associação comercial, a Febraban, a Fiesp, a
circulação de dinheiro e até o PIB é afetado com uma paralisação do
central meio de transporte na metropole mais importante da América do
Sul e a disseminação dentro da categoria de que a direção majoritaria
do sindicato, dentro do projeto de apoio ao governo federal para
manutenção dos seus carguinhos e mensalinhos, não tenta organizar de
forma efetiva a categoria contra a política econômica neoliberal que se
traduz nos ataques à própria categoria pontualmente.
O que contabilizamos de negativo é a posição de refém, se não nos
submetermos seremos afastados compulsóriamente, ficando nas mãos da
justiça durante anos e proibidos de organização e mobilização junto às
bases aguardando durante anos a posição da justiça em sua última
instância.
A reintegração foi uma vitória só pela disposição dos camaradas
lutadores porém abre a perspectiva de dias complicados pela frente.
Mas a luta efetivamente continua.
Metroviários e Metrô fazem acordo e greve é suspensa em SP
São Paulo – Anunciada para esta terça-feira, a greve dos metroviários
foi suspensa na noite desta segunda. A categoria desistiu do protesto
depois de negociar com o presidente do Metrô, Luiz Carlos Frayze David,
que assinou uma carta revogando a demissão de quatro diretores do
Sindicato dos Metroviários e a suspensão de seis operadores. Esses
funcionários participaram da "operação tartaruga", na quinta-feira.
Além da demissão dos diretores do sindicato, o Metrô tinha aberto
também um inquérito judicial contra eles. Essa medida também foi
suspensa. Em contrapartida, os funcionários se comprometeram a encerrar
o movimento grevista – vão voltar a usar os uniformes e não farão
nenhuma manifestação sindical ou de paralisação nos próximos 60 dias.
"A reunião foi positiva e conseguimos um ajuste. A discussão dos planos
de carreira, que estava parada, também vai voltar", disse o presidente
do sindicato, Flavio Godoy. Eles conseguiram também que a jornada de
trabalho continue em 36 horas semanais e não 40, como o Metrô propunha.
Segundo o Metrô, foram 18 ameaças de greve nos últimos 24 meses.
Bárbara Souza

