Arménio Carlos, da CGTP, acredita numa grande adesão à greve que resultará numa “enorme derrota para o governo”. Já Carlos Silva, da UGT, prevê que a greve geral será “um grito de insubmissão às políticas de austeridade”.
Quatro greves gerais
Nunca um primeiro-ministro enfrentou tantas greves gerais desde o dia 25 de Abril. As centrais lembram que a desta quinta-feira é a quarta contra Passos Coelho, a segunda convocada pelas duas centrais sindicais.
A primeira foi no dia 24 de novembro de 2011, contra o anúncio do governo de que iria suspender o pagamento dos subsídios de férias e de Natal a funcionários e pensionistas e contra o aumento de meia hora por dia no horário do setor privado. Esta última medida acabou caindo meses depois.
Em 22 de março de 2012 realizou-se a segunda greve geral contra o atual governo, convocada pela CGTP.
A terceira foi no dia 14 de novembro de 2012, num momento em que o governo já tinha deixado cair a polêmica redução da Taxa Social Única (TSU) e contestou o aumento de impostos, a subida do desemprego e o novo Código do Trabalho.
Arménio Carlos prevê muito apoio
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, prevê “uma grande adesão” à greve geral, que representará uma grande derrota para o governo, que pretende ver derrubado para conquistar um novo rumo político em Portugal.
“Uma grande adesão dos trabalhadores à próxima greve geral corresponde a uma grande derrota do Governo e a uma fragilização da sua base social de apoio”, disse, em entrevista à Agência Lusa. O sindicalista entende que as perspetivas apontam para “uma greve geral muito boa” porque “há um grande descontentamento e indignação contra a política do governo” e sublinha que nos plenários que a CGTP tem feito, muitos têm sido os trabalhadores que votaram no PSD (Partido Social Democrata) que manifestam a sua frustração e disponibilidade para participar na greve geral.
“Esta ofensiva é contra todos, independentemente das opções políticas ou sindicais”, afirmou Arménio Carlos que deixou, no entanto, um alerta contra qualquer manifestação de violência e defendeu o direito à resistência.
Tolerância zero
O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, vê a greve geral como um “grito de insubmissão” diante das políticas de austeridade impostas, numa altura de “tolerância zero” para com o governo.
“O que a UGT tem vindo a fazer enquanto parceiro social é, gradualmente, percorrer os degraus que nos levam a um determinado patamar e, com a greve geral, esse patamar é atingido. Tolerância para a negociação há sempre, mas a tolerância em relação a estas políticas de austeridade é zero”, disse Carlos Silva também à Agência Lusa.
O secretário-geral da UGT afirmou que “o dia 27 é o dia de um grito de insubmissão às políticas de austeridade”, mas também “o último momento que o movimento sindical tem para dizer basta a quem nos governa”.
“É o último recurso para dizer: meus senhores, chegou o momento de refletir e de perceber que o povo não aceita isto. A partir daí veremos qual será o grau de abertura do Governo em entender o clamor que se levantará no país e a partir daí tomaremos as nossas decisões e saberemos qual é o nosso rumo”, reforçou.
Carlos Silva diz que “um governo que se confronta claramente com todos os parceiros sociais, da forma como o está a fazer, significa que é o dono da verdade absoluta e isso não existe em democracia, mas em regimes de ditadura e totalitários”.
“Esta política implementada nos últimos dois anos falhou, não foi bem-sucedida. O país continua a empobrecer, o desemprego aumenta, a economia não cresce, os empresários não investem. Basta de políticas de austeridade que castigam o país, violentam as pessoas, penalizam os trabalhadores, os reformados e os pensionistas”, disse Carlos Silva.

