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Dória assina decreto atingindo população de rua

Foi publicado no último sábado (21), no Diário Oficial do município de São Paulo decreto, assinado pelo prefeito tucano João Dória, atacando frontalmente os direitos da população de rua. Com o objetivo de alterar o dispositivo que versa sobre as condições de moradores de rua, editado na gestão anterior, a medida permite, por exemplo, que sejam removidos itens como papelões, colchões, colchonetes, cobertores, mantas, travesseiros, lençóis e barracas desmontáveis dos moradores de rua, entre outras ações. No entendimento do governo tucano, esses itens caracterizam estabelecimento permanente em local público.

De acordo com a redação do decreto da gestão de Fernando Hadadd, elaborado com a colaboração da Defensoria Pública, do Ministério Público e de entidades da sociedade civil, após muita crítica ao governo petista que também cometeu equívocos em relação ao tratamento com a população de rua, não era permitida esse tipo de apreensão. A redação anterior estabelecia, ainda, que, “em caso de dúvida sobre a natureza do bem, os servidores responsáveis pela ação deverão consultar a pessoa em situação de rua”. Objetos como sofás e camas poderiam ser retirados caso os moradores não os retirassem por conta própria.

Em artigo publicado no site Justificando, o advogado e militante de direitos humanos Renan Quinalha explica que “as forças de segurança poderão retirar itens de sobrevivência das pessoas em situação de rua, o que sabemos que pode levar até ao óbito sob condições de clima muito frio”.

Ele critica, ainda, a supressão do item que obrigava, em caso de resistência das pessoas em situação de rua, que o diálogo seria adotado como primeira e principal forma de solução de conflitos, não sendo admitidas atitudes coercitivas que violem sua integridade física e moral. “Abre-se, assim, ainda mais margem para a atuação arbitrária das forças de segurança contra essa população já tão sujeita a diversas formas de violências”, avalia.

O militante também compara o novo decreto à outra medida polêmica do prefeito da maior metrópole do país, que recentemente apagou grafites de ruas centrais da cidade, como a 23 de Maio. “Apagar pichações e grafites já seria bastante grave. Mas o higienismo da gestão Dória vai muito além disso, quer ‘apagar’ pessoas do espaço público da cidade. Todo governo conservador mobiliza o discurso da ‘limpeza pública’, da ‘higienização social’ e do ‘saneamento moral’ para atacar populações vulneráveis e consideradas indesejáveis, como pessoas em situação de rua, prostitutas, pessoas LGBT, negros e outros”.

 

 

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