Candidato de esquerda derrota uribista e é eleito prefeito de Bogotá. Petro denunciou desvios de dinheiro atribuídos ao prefeito da cidade, Samuel Moreno.
Depois de uma campanha política violenta na Colômbia, o novo prefeito de Bogotá — capital do país — é Gustavo Petro, de 51 anos, conhecido pelo combate à corrupção e ex-combatente do atualmente extinto grupo rebelde de esquerda M-19. Ele derrotou o uribista Enrique Peñalosa, que ocupou o cargo em 1998.
Con 99,82% dos votos contados, Petro tem 32,15% do total, com 719.684 votos e Peñalosa 24,94% (558.233 votos), de acordo com a revista Semana. O candidato da coalizão de centro-direita já assumiu a derrota, conforme noticiou o jornal El Tiempo.
“Bogotá demonstra que o melhor para a Colômbia é o pluralismo, que a diversidade é a base da democracia e isso nos obriga, e é nossa responsabilidade, apesar da diversidade ou graças à ela, entrarmos em um acordo”, disse Petro, dizendo que trabalhará em proximidade com o presidente Juan Manuel Santos. “O movimento progressista será a primeira força em Bogotá”, completou.
O feito do novo prefeito da capital colombiana é histórico, porque se elege sem partido e contra aqueles que foram seus companheiros até pouco mais de um ano no Pólo Democrático Alternativo, agremiação que o lançou ao plano político nacional. Nas primárias, o partido escolheu Aurelio Sánchez como candidato, mas Petro foi apoiado pela maioria dos eleitores do Pólo.
Petro denunciou desvios de dinheiro atribuídos ao prefeito da cidade, Samuel Moreno, também de seu ex-partido. Moreno foi colocado em prisão provisória no dia 23 de setembro, quatro meses após ter sido suspenso das funções, devido ao escândalo.
Campanha violenta
A jornada eleitoral começou às 08h00, encerrando-se às 19h00 para cerca de 30 milhões de eleitores. Segundo a ONG Missão de Observação Eleitoral (MOE), pelo menos 42 candidatos foram assassinados desde fevereiro, com 87 ameaçados de morte, 22 visados por atentados e sete sequestrados.
As guerrilhas das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), e do ELN (Exército de Libertação Nacional), mas também bandos compostos de ex-membros de milícias paramilitaires de extrema-direita, dissolvidas entre 2003 e 2006, tentaram influenciar a votação, ameaçando os candidatos que tentariam se opor a seus planos.
Os colombianos irão eleger prefeitos de 1.102 municipalidades, suas assembleias e os governadores de 32 departamentos.

