O Instituto Frei Tito de Alencar, com apoio do projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, realiza no segundo semestre de 2012 a montagem e a circulação da exposição “Sala Escura da Tortura” e da peça “Frei Tito: Paixão, Vida e Morte” em três cidades do Brasil. No Recife, de 17 a 19 de agosto, no Parque Dona Lindu/Boa Viagem, a ação será desenvolvida com o apoio da Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Direitos Humanos e Segurança Cidadã e da Secretaria de Cultura.
Entre agosto e outubro, além do Recife (PE), as cidades de Vitória (ES) e Goiânia (GO) receberão os eventos. Na Cidade do Recife, a peça de teatro será encenada durante três dias, com quatro apresentações, e a exposição permanecerá instalada no foyer do Teatro por mais doze dias. Todas as atividades são gratuitas, incluindo a distribuição de catálogos, livros e folder de divulgação, que devem ser utilizados como material educativo por escolas, universidades, pesquisadores e movimentos sociais.
O Instituto Frei Tito leva à sociedade, e aos jovens em especial, uma atividade cultural e educativa no sentido de mobilizar o interesse pela história recente do Brasil, com destaque para a violação dos direitos humanos pelo regime de 1964, a luta pela democratização do País e o atual debate em torno da Anistia e do direito à memória. Assim, o projeto vincula as duas manifestações artísticas com o intuito de potencializar a sensibilidade do público para uma educação histórica a respeito de nosso passado, relacionando-o com demandas do presente. Portanto, não se trata simplesmente de mostrar o que aconteceu, mas fazer ligações entre passado, presente e futuro, na medida em que a luta pelos direitos humanos no Brasil continua a exigir da população uma reflexão historicamente fundamentada.
Sobre os eventos
A peça “Frei Tito: Paixão, vida e morte”, escrita entre 1983 e 1985 por Ricardo Guilherme, documenta a trajetória e o ideário de Tito de Alencar Lima (1945-1974), dominicano cearense, militante contra a ditadura no Brasil dos anos 1960 e 1970, preso político torturado e banido de seu país, jovem exilado que na França suicida-se. O texto, uma espécie de reportagem teatral, aborda para além da biografia de Frei Tito fatos marcantes relativos à geração que no Brasil encarnou a vanguarda de uma militância revolucionária de esquerda.
Frei Tito: Vida, Paixão e Morte menção honrosa no Concurso Internacional de Obras Teatrais do Terceiro Mundo (UNESCO – Caracas, 1987), resulta de pesquisa que envolve a consulta aos livrosBatismo de Sangue, de Frei Beto, Fora do Campo, de Raniero La Valle e Um Homem, de Oriana Falaci, bem como a tomada de depoimentos de Nildes e Nailde de Alencar Lima. Encontram-se também ao longo da peça trechos de reportagens, cartas de Frei Titoe citações de Gilmar de Carvalho, Licínio Rios Neto, Frei Domingos, Terezinha Zerbini, Dom Sigaud, Rolland Ducret, Jean-Claude Rolland, Blanquard, Daniel Beghim, Xavier Passat, Charles Antonoine e Michel Saillard,
A Exposição “Sala Escura da Tortura” foi concebida e exibida pela primeira vez em Paris no ano de 1973, por iniciativa do Grupo Denúncia, formado por quatro artistas plásticos renomados internacionalmente – Júlio Le Parc, Alexandre Marco, Gontran Guanaes Netto e Jose Gamarra, junto com o Colletiv anti Faciste. Eles tiveram a oportunidade de conviver com o dominicano Frei Tito de Alencar Lima e, com ele, pensar uma forma expressiva de protesto contra a violação dos direitos do homem: a arte.
Posteriormente, foi exibida em países como Itália, Suíça, Alemanha e outros, percorrendo as cidades europeias nas quais a Anistia Internacional promoveu debates sobre os direitos humanos. Na América, foi montada pela primeira vez no Brasil, em 2003, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, por ocasião do III Fórum Social Mundial.
No ano de 2011, a “Sala Escura da Tortura” circulou nas cidades de São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Fortaleza (CE), acompanhada de debates, seminários e audiência pública sobre a prática de torturas nos dias atuais.
As pinturas foram elaboradas lentamente a partir de dramatizações dos diversos métodos empregados para exercer a tortura. Todas as dramatizações foram feitas por voluntários e eram fotografadas dezenas de vezes por Júlio Le Parc. Escolhidas as cenas que serviriam como metáforas da tortura, cada artista pintou a sua obra com liberdade. Todas são figurativas, mas diferentes umas das outras, tanto no desenho como na pintura.
Além de prestar uma homenagem a Tito e a vários homens e mulheres de sua época, que deram suas vidas pela construção de uma sociedade mais justa e fraterna, a reabertura da exposição traz à tona a reflexão sobre um tema que infelizmente não ficou no passado: os horrores da tortura. Sob os mais diferentes aspectos, no Brasil e no mundo, essa é uma realidade que ainda persiste. Retomar a exposição significa afirmar nosso repúdio diante de tais práticas que ferem a dignidade humana, como fizeram com Tito e tantos outros que nos precederam.
Informações: (81) 33559832
[email protected]
www.salaescuradatortura.com.br
Fonte: www.adital.com.br


