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Heloísa protesta contra perseguição ao caseiro Francenildo

A senadora Heloísa Helena protestou contra a investigação que a Polícia Federal está fazendo para apurar a possibilidade de o caseiro Francenildo dos Santos Costa ter feito lavagem de dinheiro. Heloísa disse suspeitar que o governo está usando essa investigação como uma forma de amedrontar e desmoralizar o caseiro, por ter ousado contestar um "ministro de Estado poderosíssimo".

Nildo, como é mais conhecido, teve seu sigilo bancário quebrado
informalmente na Caixa Econômica Federal depois de ter dado entrevistas
e depoimentos nos quais disse que o ministro da Fazenda, Antonio
Palocci, esteve diversas vezes numa mansão em Brasília onde
supostamente eram repartidos recursos ilegais e tramados negócios em
prejuízo do país.

Heloísa sustentou essa suspeita no fato de a investigação ter nascido
de um procedimento da Caixa, realizado na sexta-feira, dia 17, às
19h10, quando foi registrada no Sistema Integrado do Banco Central
(Sisbacen) a informação de que o caseiro fizera movimentações
incompatíveis com a sua renda. Na segunda-feira, 20, essa informação
seguiu para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf),
que iniciou a investigação e acionou a Polícia Federal. OCoaf,
vinculado ao Ministério da Fazenda,tem como objetivo disciplinar,
aplicar penas administrativas, receber, examinar e identificar
ocorrências suspeitas de atividade ilícitas relacionada à lavagem de
dinheiro.

Tendo em mãos os extratos bancários cedidos a ela pelo próprio caseiro,
a senadora do P-SOL observou que as movimentações "incompatíveis com a
renda" de Francenildo foram realizadas em entre 6 de janeiro e 15 de
fevereiro, sem que a Caixa tivesse tomado qualquer providência, só
vindo a fazê-lo às vésperas da publicação pela imprensa da informação
de que ele recebera depósitos em valor aproximado de R$ 25 mil, como a
sugerir que teria sido "comprado" para depor contra o ministro na
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos.

– A Caixa terá de explicar isso muito bem explicado – disse a senadora
que qualificou o governo Luiz Inácio Lula da Silva como "governo de
bandidos".

  Ouça o pronunciamento de Heloísa Helena : Parte 1Parte 2


Caseiro diz "confirmar até morrer" que Palocci freqüentava casa no Lago Sul

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, realizado
em 16 de março de 2006, o caseiro Francenildo dos Santos Costa, o
Nildo, disse "confirmar até morrer" que o ministro da Fazenda, Antonio
Palocci, freqüentava uma casa no Lago Sul, em Brasília, alugada por um
ex-assessor do ministro quando ele era prefeito de Ribeirão Preto (SP).
Segundo Nildo, Palocci chegava dirigindo um automóvel Peugeot de quatro
portas, da cor prata, e a mansão era usada, basicamente, para
realização de festas que ocorriam à noite.

O caseiro confirmou também que Palocci era tratado por "chefe" pela
chamada ‘República de Ribeirão Preto’, composta por Rogério Buratti,
Vladimir Poleto, Ralf Barquete (já falecido) e pelo atual assessor
especial do ministro, Ademirson Ariovaldo da Silva. Nildo confirmou
ainda que Palocci "tinha grande amizade com Buratti", o que havia sido
negado pelo ministro durante depoimento à CPI. Na ocasião, além de
negar qualquer vínculo de amizade com Buratti ou Barquete, Palocci
garantiu que jamais fora à casa. Nildo reafirmou ter visto Palocci
várias vezes na mansão. Ele também contou que viu grande quantidade de
dinheiro na casa, "que dava para forrar malas", mas não chegou a fazer
a ligação do ministro com esses valores.

O senador Alvaro Dias, autor do requerimento para convocação
de Nildo, exibiu fotos em um telão de pessoas que poderiam ter
freqüentado a mansão, para que o caseiro pudesse identificar quais
pessoas havia visto na casa. Ele reconheceu a foto de Palocci e, quando
foi exibida a fotografia de Vladimir Poleto, o caseiro comentou:

– Ah, esse era o meu patrãozinho.

Fonte: Agência Senado

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