Fonte: Esquerda.net
Segundo agências de notícias europeias, a polícia húngara usou canhões de água e disparou gás lacrimogéneo contra dezenas de refugiados na fronteira com a Sérvia. Os refugiados teriam rompido o bloqueio que a Hungria construiu nessa fronteira.
“A polícia está tomando as medidas legais e proporcionais para proteger a fronteira húngara e a fronteira externa da União Europeia”, disseram as autoridades húngaras.
O governo da Hungria, de extrema-direita, encerrou a fronteira com a Sérvia, introduziu um controlo apertado e uma zona de registo para os refugiados, que pretendam pedir asilo. Além disso, passou a criminalizar refugiados e imigrantes. Também decretou estado de emergência em duas províncias de fronteira com a Sérvia e a polícia já prendeu, pelo menos, 174 pessoas por terem tentado ultrapassar a dupla vedação que separa os dois países.
Sérvia: “Não pararemos ninguém à força”
A nova lei de imigração húngara considera crime a entrada de pessoas sem autorização no país, com pena de prisão de até três anos e/ou até expulsão. Segundo um dos porta-vozes do governo Gyorgy Bakondi, já foi aberto um processo penal contra os refugiados “que não estão respeitando essa nova legislação restritiva”.
Entretanto, o governo húngaro já havia anunciado anteriormente que os refugiados, cujos pedidos de asilo fossem rejeitados, seriam devolvidos à Sérvia. O governo sérvio anunciou na terça-feira (15) que não aceitará o retorno dos refugiados de asilo de Budapeste. A maioria dos mais de 200 mil refugiados que as autoridades húngaras interceptaram desde o início de 2015 entrou no país a partir da Sérvia.
“Não pararemos ninguém à força no nosso território e por isso também não permitiremos que nenhum país devolva ninguém à força para o nosso território”, declarou o ministro do Trabalho, Aleksandar Vulin.
Governo húngaro de extrema-direita quer novo muro na fronteira com a Romênia
Após a construção da dupla divisória na fronteira com a Sérvia, o governo húngaro de extrema direita anunciou querer construir outro muro na fronteira com a Romênia. A novidade é que este novo muro é para separar a Hungria de um país da União Europeia (UE) e não uma fronteira da UE.
Zoltan Kovacs, porta-voz do governo húngaro, declarou na terça-feira que a construção dos muros constituem o início de uma “nova era” para o país e afirmou: “Nós vamos parar com o fluxo de imigrantes ilegais na nossa fronteira”.
Governo de extrema-direita, filiado no PPE
As medidas contra imigrantes e refugiados que o governo húngaro vem tomando violam o direito internacional e vão contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo a qual todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal e toda pessoa sujeita à perseguição tem o direito de procurar e de se beneficiar de asilo em outros países.
A Hungria é um país da União Europeia. O seu primeiro-ministro, Viktor Orbán, é o líder da Fidesz (União Cívica Húngara), um partido que segue uma política de extrema-direita e fomenta o ódio contra os imigrantes.
A Fidesz, apesar de ser um partido declaradamente de extrema-direita, pertence ao Partido Popular Europeu (PPE), tal como o PSD de Passos Coelho ou a CDU de Angela Merkel.

