O caso do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, é excepcional em relação a outros políticos que foram recentemente acusados de corrupção. No seu caso, as provas de envolvimento são tantas e de tamanha dimensão que literalmente ninguém no Rio de Janeiro consegue explicar como ele se mantém no cargo.
Pezão, que foi o responsável pelo calote nos salários dos servidores por até quatro meses, pela crise da UERJ (que agora está sob a ameaça de fechamento ou privatização) e pelo leilão da CEDAE (companhia local de água e esgoto), enquanto assiste ao estado entrar em colapso, também vê sucessivos delatores – principalmente executivos de empreiteiras – detalharem como seus auxiliares extorquiam dinheiro e, depois, colocavam boa parte em paraísos fiscais no exterior.
Entregaram à justiça provas do envolvimento de Pezão com o crime organizado Benedito Jr, da Odebrecht; Alberto Quintaes, da Andrade Gutierrez; Jonas Lopes de Carvalho, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio; o doleiro Álvaro Novis e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, entre outros.
São evidências que partem de diferentes áreas do governo, envolvendo ramos diferentes de atuação, o que sugere que a quadrilha liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral manteve seu ritmo de operação na gestão do sucessor.
E a população vê tudo admirada especialmente com o patrimônio de Pezão e da sua família, que inclui um luxuosíssimo apartamento no Leblon, onde mora, uma mansão ao lado da Sérgio Cabral, na Costa Verde, carros de luxo e festas-ostentação, em contraste com a realidade nas ruas, de desemprego em massa, disparada da violência, exército nas ruas, fechamento de serviços públicos e até servidores concursados vendendo produtos na praia para sobreviver.
A Procuradoria-Geral enviou na última sexta-feira (08/09) para o STJ um pedido de instauração de inquérito para investigar Luiz Fernando Pezão a partir das delações da Odebrecht. É muito pouco, já que o governador e os abutres de seu partido, o PMDB, e aliados levaram à falência uma unidade inteira da federação. Mas a sua condenação, e consequente afastamento, é fundamental para que o Rio de Janeiro inicie um processo de reorganização.
A calamidade em que Cabral, Pezão e seus companheiros do PMDB mergulharam o Rio pede a gritos a saída de um governador que, no lugar dos interesses públicos, se comportou sempre como um operador de interesses privados. “Fora Pezão” é um passo que se impõe como medida de salvação da população fluminense!

