O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) rebateu as críticas feitas nos últimos dois anos pelo presidente, Jair Bolsonaro, e pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, e defendeu a qualidade dos dados produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado à pasta.
O documento, assinado pelo ministro substituto, Julio Semeghini Neto, foi enviado em resposta a um requerimento formal de informações apresentado pela deputada federal Fernanda Melhionna (PSOL-RS) e diz que “não há inconsistências” nos dados do órgão, que os sistemas do Inpe que monitoram queimadas e desmatamento são “robustos” e que, apesar de todas as críticas feitas pelo governo, nenhum questionamento formal foi feito ao ministério sobre o caso.
Desde meados de 2019, tanto Bolsonaro quanto Mourão se alternaram ao fazer críticas aos dados de desmatamento e queimadas do Inpe. Na época, Bolsonaro levantou suspeitas, sem apresentar provas, sobre a divulgação dos dados que apontavam para um aumento do desmatamento na Amazônia.
A crise gerada levou à demissão do então diretor do Inpe, Ricardo Galvão. Apesar disso, o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter) mostrou que a tendência estava correta e que, em 2019, houve um aumento de 85% na área com alerta de desmatamento na região amazônica em relação a 2018.
“Não há inconsistências nos dados divulgados pelo Inpe. Os programas Queimadas, Prodes (que monitora desmatamento ao longo de um ano) e Deter (que monitora desmatamento em tempo real) são programas robustos, que têm evoluído ao longo de aproximadamente três décadas por meio de melhoria de processos e do aumento de disponibilidade de sistemas sensores orbitais”, diz um trecho da resposta.
No ofício, o ministro substituto também diz que, apesar dos ataques de Bolsonaro ao Inpe em 2019, não houve nenhum questionamento formal da Presidência da República ou do Ministério do Meio Ambiente (MMA) sobre a veracidade dos dados produzidos pelo Inpe.



