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O escandaloso editorial de O Globo

Juliano Medeiros

O editorial desta quarta-feira (12) do jornal O Globo extrapolou todos os limites. E não me refiro aos limites da ética jornalista, já que editoriais de veículos da grande imprensa raramente se preocupam com esse valor tão caro aos profissionais da comunicação. O limite extrapolado é o do bom-senso, do ridículo, da fronteira entre realidade e fantasia. Tudo feito para que o jornal possa, enfim, assumir o que realmente pensa sobre os protestos que varreram o país desde junho:

“A morte de Santiago Andrade tem de servir, ao menos, para uma intensa e profunda reflexão sobre distorções escondidas nos subterrâneos de militâncias expostas em perfis falsos nas redes sociais que difamam pela internet, em sindicatos de jornalistas aparelhados e desconectados da profissão, em universidades transformadas em centro de doutrinação política, em funções desvirtuadas em assessorias de partidos políticos — para citar os pontos de intoxicação ideológica autoritária mais visíveis”

Não, não se trata de um editorial dos tempos da Ditadura Militar, que trata militantes, sindicatos e universidades como “centros de subversão” que precisam ser controlados. Enquanto foram úteis para pressionar governos com os quais as organizações Globo têm contas a acertar, os protestos foram festejados como expressão de um renascimento democrático. Agora que eles ameaçam o faturamento da emissora às vésperas da Copa, são hostilizados numa sórdida campanha que tenta misturar “black blocs” com militantes políticos que não escondem seu rosto e não compactuam com a violência como fim.

Mas não basta jogar na vala comum todos os que saíram às ruas contra as violações promovidas para assegurar a realização de uma Copa elitizada e excludente, contra o aumento das passagens, contra a corrupção. O Globo, em seu editorial, busca criar um espantalho. Uma força oculta que manipula a mente incauta de jovens vulneráveis à sanha esquerdista. Esse espantalho, para o jornal, responde pelo nome de Marcelo Freixo:

“O crime jogou luz sobre a inaceitável atuação do gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) em defesa de vândalos. Ele e partido precisam explicar a função dupla de Thiago de Souza Melo, assessor do deputado, pago, portanto, pelo contribuinte, e, ao mesmo tempo, advogado de black-bloc e similares”, afirma o jornal.

Freixo, todos sabem, é um dos mais destacados parlamentares do Brasil. E construiu sua trajetória enfrentando os interesses que as Organizações Globo sempre buscaram proteger: milicianos, políticos corruptos, empreiteiras, etc. Por isso, O Globo quer macular sua atuação, vinculando-o a ações que nunca tiveram o apoio dele ou do PSOL. Quanto à defesa de manifestantes, agora transformados em “vândalos” pelo diário carioca, esse é o papel de um parlamentar que sempre combateu a violência policial contra aqueles que lutam.

O Globo, além de atacar Freixo, o PSOL e todos os que lutam, também quer suprimir o direito de defesa. Quem, então, é o inimigo da democracia?

Leia aqui o editorial de O Globo desta quarta-feira (12).

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