PA: Ética na política – Diante de novas denúncias, cresce a presão por CPI na Alepa
21 de março de 2011

Deputado Edmilson Rodrigues em visita de cortesia ao promotor Arnaldo Azevedo, nomeado para investigar as denúncias de fraudes na Alepa
Neste domingo (20), a imprensa voltou a pautar o escândalo de fraudes na gestão de pessoal na Alepa. Matéria publicada no Diário do Pará, assinada pela jornalista Rita Soares, informa que a Delegacia de Investigações e Operações Especiais (Dioe) abriu inquérito para investigar os desvios na folha de pagamentos do Poder. Já a coluna Repórter 70, de O Liberal, lança luz sobre outra possível ilegalidade: a distribuição manipulada de tíquete-alimentação para servidores privilegiados, causando um rombo, nos últimos dois anos, de R$ 1,2 milhão.
O editorial de O Liberal, deste domingo, sob o título “É a CPI ou a desmoralização”, aponta que a Assembleia está diante do desafio de apurar “essa farra, de passar a limpo esses desregramentos através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”.
Na blogosfera o tema também está quente.
O jornalista Paulo Bemerguy, do Blog Espaço Aberto, publicou postagem na manhã de hoje (20), noticiando que o pedido de CPI, apresentado há quase um mês pelo deputado Edmilson, ganha fôlego diante das novas denúncias. Já o Blog da professora Edilza Fontes, por exemplo, publicou uma rápida entrevista com o deputado Edmilson, transcrita a seguir:
P – Por que o senhor insiste na CPI se já existe em funcionamento uma comissão de sindicância?
Edmilson – A resposta é simples: a comissão de sindicância é inócua, já nasce sem força para fazer frente à complexidade e extensão dos indícios de graves ilegalidades na gestão de pessoal da Assembleia Legislativa. É inócua porque sequer terá condições de obrigar a vir depor a principal – e por enquanto única acusada pelos supostos desvios-, a senhora Mônica Pinto, porque ela já foi exonerada do cargo em comissão que exerceu durante muitos anos. Por outro lado, o objeto da sindicância – investigar a possível ilegalidade na concessão de empréstimo consignado a esta ex-servidora – é muito limitado diante da enorme quantidade de fraudes que a imprensa tem trazido à tona.
Por isso, estou convencido que só uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), investida dos poderes que lhes são reservados pela Constituição e pelo próprio regimento interno da Casa, terá força para investigar com isenção e transparência que a sociedade paraense exige.
P- Deputado, mas até agora só o PSOL e PT assinaram o requerimento. A CPI, então, não estaria inviabilizada?
Edmilson – De modo algum. Foi um avanço a assinatura dos oito parlamentares da bancado do PT. E a cada nova denúncia estampada pela imprensa o clima vai ficando mais favorável para que outras bancadas debatam e deliberem pela assinatura no pedido de CPI. Faltam apenas mais cinco assinaturas para que se complete o mínimo regimental. Por isso, permaneço apelando para que o poder legislativo paraense não cometa o grave erro da omissão diante de denúncias tão escandalosas. É a imagem do Poder que está em jogo.
P- Como o senhor vê a entrada da Polícia Civil e do Ministério Público na investigação do escândalo?
Edmilson – Com muita satisfação. Aliás, há três semanas formalizei à Procuradoria Geral de Justiça o pedido de designação de um promotor para tratar da área criminal e a abertura de inquérito policial para agilizar as investigações. Felizmente, houve sensibilidade por parte do Ministério Público Estadual e foi nomeado o promotor Arnaldo Azevedo, que já começou a trabalhar determinando as providências que o caso requer. Estive com ele na semana passada e percebi a seriedade que pautará sua atuação como fiscal da lei.
As investigações do MP, da Polícia Civil e da Receita Federal são complementares entre si, e só demonstram o quanto é urgente e necessária a instalação da CPI. Afinal, cabe à Assembleia Legislativa o papel de fiscalizar o Executivo, portando deve ser a primeira a dar o melhor exemplo de lisura com o patrimônio público.


Últimas
Relacionados










