Foram recolhidas 230 assinaturas de
deputados e de 30 senadores, atingindo o número regimental exigido para
a instalação da comissão mista para
investigar a compra superfaturada de ambulâncias por municípios com a
intermediação de parlamentares. A crise ficou conhecida como escândalo
dos sanguessugas. Segundo Heloísa Helena, a instalação da CPI é uma exigência do povo
brasileiro que quer ver investigado e identificado o banditismo que
está sendo feito com as ambulâncias.
Para cumprir o prazo regimental de cinco dias designado pelo presidente
do Congresso Nacional, lideranças do P-SOL, PV e PPS, ao lado da
senadora Heloísa Helena, pré-candidata à Presidência da República pelo
P-SOL, entregaram na Secretaria da Mesa do Senado a lista de
assinaturas de parlamentares favoráveis à instalação da CPI. Questionada sobre a questão do
tempo para esta investigação, em função da proximidades das eleições,
Heloísa Helena foi categórica: “O Congresso Nacional tem obrigação de
trabalhar. Senão é preciso suspender o salário de quem quer só fazer
campanha. Vai ter que fazer campanha sem salário”.
Para a deputada Maninha (P-SOL/DF) como agora não há mais dúvida sobre a
questão regimental, a CPI deve ser instalada o mais rápido possível.
Fernando Gabeira (PV/RJ) disse que a protelação para a instalação da
comissão se dá pelo grau de envolvimento do PMDB com o escândalo. “Tem
ministro envolvido, tem líder envolvido e outras pessoas do partido
também envolvidas”, garantiu. Gabeira afirmou que o grupo que está
articulando a instalação da CPI no Congresso vai ao STF porque é uma
questão elementar. “Estão de novo tentando passar o trator sobre nossos
direitos e quando passam por cima de nossos direitos, a resposta é
utilizar o coquetel molotov”.
Para Raul Jungmmann (PPS/PE) é inadmissível a terceirização dos deveres
do congresso. “Não podemos aceitar isso. Não podemos aceitar que todos
sejam considerados suspeitos por não haver investigação. “Lugar de
sanguessuga é na cadeia e não no parlamento”, afirmou Jungmmann.

