O debate demonstrou a preocupação dos professores e dos técnico-administrativos não apenas com seus salários, mas com a situação caótica das escolas. Diversas denúncias foram apresentadas durante a plenária. Ficou claro que, para os educadores, a verba do Fundeb não foi utilizada para valorizar os trabalhadores ou melhorar a infraestrutura das escolas nos últimos anos.
Entre os problemas da aplicação da verba do Fundo, foi destacado o gasto de 1 milhão de reais com o Jogo Banco Imobiliário Cidade Olímpica, propaganda do governo sem qualquer função pedagógica. Há também convênios privados totalmente desconectados da realidade escolar, como o projeto da Cultura Inglesa, com desperdício constante de materiais didáticos.
O fato de que, entre 51 vereadores, apenas 10 assinarem o pedido de CPI também surpreendeu os educadores, que lembraram os discursos dos candidatos nas vésperas das eleições sobre a importância da educação.
Ao final, a plenária aprovou a formação de um Fórum Popular da CPI do Fundeb, que terá como membros todos que estiveram presentes e outros que quiserem acompanhar o processo, assim como entidades do movimento social, que serão convidadas a participar.
A primeira reunião do Fórum ocorrerá no dia 1º de outubro, no auditório da Câmara de Vereadores (Praça Floriano, s/n, anexo), às 18h.
Professores suspendem greve, mas mobilização continua
Na terça-feira (10), 8 mil profissionais de educação do município do Rio decidiram em assembleia retornar às aulas, suspendendo após um mês uma greve histórica da categoria. Entretanto, adotaram o estado de greve, deixando o prefeito Eduardo Paes e a secretária Claudia Costin em alerta, já que a paralisação total pode ser retomada a qualquer momento. Dentro das escolas, os educadores não aceitarão mais o projeto meritocrático. Lutarão pelo boicote às provas de avaliação externa e pelo fim dos cadernos pedagógicos.
Sem consultar o sindicato da categoria, a Secretaria Municipal de Educação impôs um calendário de reposição aos sábados, com aulas até meados de janeiro. No dia 11, o Sepe (sindicato dos professores) esteve com representantes do governo municipal e comunicou que a reposição só será feita após a aprovação do Plano de Carreira Unificado, ponto da próxima assembleia, que ocorrerá no dia 17 de setembro.
As negociações entre representantes da categoria e da prefeitura continuam. No dia 12, ocorreu mais uma audiência sobre o Plano de Carreira, com a presença da Secretária de Educação Claudia Costin e do vice-prefeito Adilson Pires.
Segundo os prazos apresentados pelo governo, o Plano chegará à Câmara dos Vereadores no dia 16 de setembro. O vereador Renato Cinco, do PSOL, ressalta que será papel dos vereadores contribuir com a garantia de um Plano que contemple as reivindicações principais da greve, ou seja, unificado, com paridade e que viabilize a progressão por tempo e formação.
O mandato de Renato Cinco acompanhou de perto esse momento histórico. Ouvindo as vozes das ruas, propôs a CPI do Fundeb. Além disso, soma-se à luta por um Plano de Carreira que valorize de fato os profissionais de educação.

