“Manifestação legítima e histórica no Amapá. Venho de lutas sociais, forjei minha conduta nas ruas em defesa de melhorias. Gostaria de ter estado lá”. Assim define o prefeito Clécio Luís, do PSOL, sobre a manifestação popular ocorrida na tarde desta quarta-feira (19), em Macapá-AP, que levou milhares de pessoas às ruas em voz de protesto.
Ativista em muitos episódios de protestos sociais ao longo de sua vida, Clécio Luís lamenta, não aceita e manifesta sua indignação em relação ao desvio de foco sofrido ao final da manifestação, que perdeu o controle, registrando ações de vandalismos de grupos isolados, que incitaram à violência e ocasionaram a depredação de lojas, órgãos públicos, agressão a manifestantes e policiais. “Não consigo entender a motivação para tais atos protagonizados, é bom ressaltar, por grupos isolados. Os rastros deixados vão ficar marcados e de certo modo enfraquecem o movimento que se propõem pacífico”.
Pouco antes da passagem da multidão em frente ao prédio da Prefeitura Municipal de Macapá, o prefeito reuniu-se com a brigada da Guarda Municipal, que resguarda o patrimônio público, e pediu ao grupamento que realizasse suas funções com respeito à democracia, assegurando a integridade das pessoas e do patrimônio público. “Como venho dessa base popular, sempre inserido e à frente das discussões que tratam de melhorias para a sociedade, reuni com a guarda para que fosse garantido ao manifesto o exercício da cidadania, da democracia e que fosse resguardada a integridade dos participantes e da estrutura predial do bem público”, diz o prefeito.
O poder de mobilização pelas redes sociais na internet mostrou sua força e a democracia foi soberana. Porém, em Macapá, o cenário é diferente, ao contrário de cidades que aumentaram a tarifa de ônibus, aqui, a rejeição ao aumento já é decisão política clara antes mesmo das manifestações ganharem as ruas do Brasil, divulgada e reafirmada desde o início da atual gestão. A firme decisão do prefeito Clécio Luís se baseia em pautas concretas. Para ele, é necessário se discutir a melhoria do sistema como um todo.
A participação popular na condução dessa gestão está presente desde o início. Prova disso foi a decisão de se constituir o Congresso do Povo, a escuta popular que ocorre em toda a Capital, zona rural e urbana, e que pautará os investimentos no município de Macapá para os próximos quatro anos, com demandas apontadas pelas próprias comunidades. Outro exemplo foi a implementação da Mesa de Negociação, dispositivo que reúne todas as categorias para, juntos, serem definidas melhorias nas condições de trabalho, salários e o que houver. Foi na Mesa de Negociação que Prefeitura e Educadores chegaram ao acordo justo de reajuste salarial que hoje põe Macapá entre as capitais cujo menor vencimento básico de um professor é de R$ 1,3 mil.

