Professores em greve das quatro universidades estaduais da Bahia apresentaram ao governo uma contraproposta para encerrar o movimento, que já dura mais de um mês.
Em reunião na tarde da segunda-feira (23) com representantes da Secretaria de Educação, das Relações Interinstitucionais e da Administração do Estado, os docentes indicaram uma flexibilização nas reivindicações, mas reafirmaram a necessidade de melhores salários e mais verbas para as Universidades estaduais.
No texto encaminhado ao governo, os grevistas pediram um acréscimo na redação do decreto 12.583 de fevereiro de 2011, por parte do governador Jaques Wagner (PT), liberando as Universidades e Fundações do contingenciamento de verbas proposto. Também indicaram que aceitam a manutenção da cláusula que integra a assinatura do acordo salarial de 2010, desde que seja retirado do texto o impedimento de ganhos reais para a categoria para o período de 2011 a 2014.
“A gratificação que nos oferece não nos tira da condição de termos um dos piores salários das universidades estaduais do Nordeste [só perdendo para os professores do Maranhão]. Pelo acordo salarial que o governo está propondo, teremos só a reposição da inflação”, explica Juscelio Dantas da Cruz, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e coordenador da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Adufs).
Segundo ele, o governo delineia um acordo com os professores com um termo restritivo, que na prática significa congelamento salarial por quatro anos. “Estamos aceitando que a cláusula exista, mas desde que apresente outra redação que não interfira na nossa luta por nossos ganhos reais. Queremos ter a liberdade para reivindicar”, afirma.
Braços cruzados, salários cortados
Os professores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) estão com os salários cortados em razão da greve, deflagrada entre os dias 6 e 11 de abril. Já os docentes da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), que iniciaram a greve em 26 de abril, entraram com um mandado de segurança preventivo para que também não tivessem seus salários suspensos. O governo está recorrendo da decisão. “Infelizmente nesse governo que nós achamos que seria diferenciado, que teríamos um tratamento diferenciado em relação aos anteriores, temos nossos salários cortados. Porém isso é o que nos dá mais motivação para a greve continuar.”
Juscelio afirma que por conta do corte dos salários, muitos professores tiveram que recorrer a empréstimos pessoais, o que está causando uma revolta muito grande. Ele conta que nem mesmo os 11 dias de abril trabalhados pelos docentes da Universidade de Feira de Santana foram pagos. “Temos que continuar indo para a luta, para o embate, e defender a categoria acima de qualquer coisa. O governador disse que se quiséssemos ter nosso salário, deveríamos voltar a trabalhar. Nossa greve não foi julgada ilegal. As medidas do governador são claramente uma afronta ao nosso direito de greve. É dessa forma que o governo do PT vem tratando o movimento”, conta o coordenador.
Segundo ele, o governo se comprometeu a responder às contrapropostas do movimento em nova reunião na próxima quarta-feira (25). Depois disso, as Associações dos Docentes reúnem-se em assembleias para discutir o movimento. No entanto, pelo menos a um dos pontos a negociação promete continuar sendo dura. De acordo com Juscelio, representantes já indicaram que o governador Jaques Wagner não acena com a possibilidade de fazer mudanças no decreto, justamente o ponto que motivou a greve estudantil na Universidade de Santa Cruz e de estudantes e de servidores técnico-administrativos na Universidade do Sudoeste da Bahia. “Vamos analisar as propostas, e se necessário, vamos continuar paralisados”, indica Juscelio.
Fonte: Aline Scarso – Da redação – Brasil de Fato

