Raul Marcelo, vereador do PSOL em Sorocaba (SP), acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Rodrigo Manga, o “prefeito tiktoker” da cidade, para que ele seja investigado por ter determinado ao serviço de água e esgoto da cidade que abrisse um buraco em uma rua da cidade apenas com a finalidade de gravar um vídeo viral para suas redes sociais.
O vereador lembra que no mínimo dez servidores do Saae foram utilizados para a fabricação do “buraco fake”, além de retroescavadeira e demais equipamentos públicos.
“O prefeito deve ser investigado sob a ótica da lei de improbidade administrativa, posto que tem auferido vantagens e renda com o acervo da Prefeitura e da administração indireta, isto é, com a utilização de servidores, maquinários, dentre outros elementos públicos”, afirma.
Ele também reforçou em sua denúncia que o prefeito Rodrigo Manga deve ser investigado também por desvio de patrimônio público, já que os recursos utilizados na operação deveriam ter sido destinados a outras finalidades.
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Entenda o caso
O caso ganhou repercussão nacional na última quinta-feira (23) após o portal G1 publicar detalhes da operação realizada no último dia 9 de abril.
Publicado no perfil pessoal de Rodrigo Manga no mesmo dia em que a operação aconteceu, o vídeo mostra o prefeito em um cenário de obra, acompanhado de servidores e máquinas do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).
Segundo as denúncias, equipes do Saae e de uma empresa terceirizada foram mobilizadas apenas para abrir e fechar um buraco no bairro de Jardim Leocádia, que teria servido apenas de cenário. Os funcionários relatam a abertura de procedimentos falsos para legitimar o uso de servidores e o eventual pagamento à empresa privada.
Ainda no documento, duas fotos que mostram o “antes e depois” do serviço. No entanto, as duas imagens são idênticas, sem nenhuma alteração feita. Além disso, as imagens apresentam outra inconsistência: elas foram tiradas em outro local, a aproximadamente 70 metros de onde os serviços teriam sido executados.
“Não havia absolutamente nada. Foi feito para justificar essa demanda. Se verificar no GPS das equipes, vai ver que nunca estiveram todas as equipes na mesma ocorrência em tão pouco tempo”, afirmou um servidor à reportagem do G1.
A reportagem também teve acesso a uma foto da rua feita momentos antes do início dos trabalhos, que não mostra qualquer afundamento, vazamento de água ou esgoto na via.

