O PSOL acompanha com preocupação o recente processo eleitoral no Peru, particularmente diante das tentativas de setores da extrema direita peruana de promover uma severa desestabilização política, com o questionamento da vontade popular expressa nas urnas e uma campanha de acusações, sem provas, de fraude eleitoral. O primeiro turno das eleições no Peru, realizado em 12 de abril de 2026, ainda não teve o seu resultado oficial divulgado, o que acende um importante alerta democrático em nossa região.
Além de votar em um candidato à presidência, o povo peruano foi às urnas para eleger os membros do Senado, recriado em lei de 2024 após 30 anos da extinção da Casa, da Câmara dos Deputados e do Parlamento Andino. Lamentavelmente, a apuração foi interrompida com 93,5% dos votos válidos apurados, justamente quando estava definido que haveria necessariamente um segundo turno de votação para presidente, agendado para 07 de junho deste ano. Na disputa do segundo turno, Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori e conhecida política da direita radical peruana, estaria confirmada após obter, pelo menos, 17% dos votos válidos.
Além disso, o candidato da esquerda Roberto Sánchez Palomino havia assumido a segunda posição na disputa, após uma ultrapassagem em relação ao ultradireitista López Aliaga. Roberto Sánchez é apoiado pelo ex-presidente Pedro Castillo, que sofreu um golpe institucional em 2022 por parte da maioria reacionária do parlamento peruano e segue como um preso político. É importante considerar que o Juntos pelo Peru, partido de Sánchez, venceu a eleição em 10 Distritos e conquistou, até o momento, a segunda maior bancada no Senado e na Câmara, atrás apenas do partido de Keiko.
Logo após a ultrapassagem, López Aliaga passou a proferir denúncias de fraude eleitoral, sem provas, pedindo a anulação das eleições, além de oferecer recompensa em dinheiro a funcionários de órgãos eleitorais que apresentassem algum indício das supostas irregularidades. Já conhecemos o repertório e os danos causados pelas forças de extrema direita quando passam a promover a desconfiança sistemática em relação às instituições, à constituição e ao processo eleitoral em cada país. As instituições eleitorais devem exercer as suas funções com plena autonomia, livres de pressões indevidas e em estrito respeito aos procedimentos legais. A democracia não se esgota em suas instituições, mas não pode prescindir delas: defender a vontade popular é defender a democracia como conquista dos povos e a autodeterminação como princípio fundamental da ordem internacional.
Por isso, o PSOL manifesta seu repúdio à estratégia da extrema direita peruana voltada a obstruir, retardar ou invalidar resultados eleitorais legítimos por meio de campanhas de descrédito institucional e desinformação. Nenhum candidato tem o direito de substituir, manipular ou desconhecer o veredicto das urnas. Este tipo de ameaça aos direitos democráticos não pode prevalecer: a vontade popular é soberana e o voto popular se respeita.
Executiva Nacional do PSOL – 22 de abril de 2026

