fbpx

Bolsonaristas disseminam fake news sobre Marcelo Biar. Seu compromisso sempre foi com a vida!

“Há homens que lutam um dia e são bons, há homens que lutam um ano e são melhores, mas há homens que lutam a vida toda, esses são os insubstituíveis”.
Bertold Brecht

Marcelo Biar, dirigente do PSOL no Rio de Janeiro, faleceu por complicações da Covid-19 no último sábado (25) aos 54 anos. Professor, escritor, músico, poeta. Amante de futebol e cinema, Marcelo Biar era um cronista da nossa realidade, tão dura.

A partir de sua marcante experiência como educador na prisão, tornou-se uma das mais vozes mais destacadas e firmes do Brasil em defesa do desencarceramento e dos direitos dos internos do sistema penitenciário.

Fundador e presidente do Instituto por Direitos e Igualdade, Marcelo Biar atuava com familiares de presos e egressos do sistema prisional. Construía denúncias, propostas e ações de defesa concreta de seus direitos. Em abril deste ano, o Instituto obteve do Judiciário uma decisão obrigando o governo do Rio de Janeiro a providenciar, em até três dias, a garantia adequada de materiais de limpeza para as prisões, com produtos de higiene pessoal para os presos e equipamentos de proteção individual para os agentes penitenciários.

Por esta trajetória de compromisso inquebrantável com a vida, a máquina de desinformação bolsonarista decidiu difamar a história e a reputação de Marcelo Biar com uma série de ataques e mentiras nas redes sociais.

A partir de uma publicação mentirosa em um site reconhecidamente integrante da estrutura investigada pela Polícia Federal, conhecida como “gabinete do ódio”, bolsonaristas começaram a espalhar que Biar teria desejado “Força Covid” quando o presidente Jair Bolsonaro anunciou que havia contraído a Covid-19. O que é MENTIRA.

Não há e nunca houve nenhuma postagem em qualquer rede social de Marcelo Biar desejando a morte de Jair Bolsonaro, minimizando a pandemia ou até mesmo “torcendo para o vírus”.

O site que divulgou inicialmente a fake news não se deu ao trabalho nem de conferir o currículo de Marcelo Biar. Ele nunca foi deputado pelo PSOL ou teve qualquer cargo eletivo. Candidatou-se nas eleições de 2016 e 2018, mas não se elegeu.

“Este site inexplicavelmente continua no ar. É coisa mais conhecida do mundo que um site que publica fake news e mensagens de ódio há muito tempo”, afirmou José Luís Fevereiro, dirigente do PSOL Rio de Janeiro e amigo pessoal de Marcelo Biar, que busca reestabelecer a verdade sobre a trajetória e a reputação de Biar.

Não demorou para até deputados bolsonaristas, como Carlos Jordy e Bia Kicis, começaram e replicar a notícia falsa e os boatos infundados sobre o dirigente psolista falecido recentemente. Na foto compartilhada por Bia Kicis em seu Instagram a deputada diz que “mais um que desejou a morte do presidente acabou de bater as botas”.

Carlos Jordy também compartilhou publicação similar e na legenda da foto escreveu que “a lei do retorno é implacável!”. Nesta quarta-feira (29), o deputado apagou o post, mas no print é possível ver sua publicação.

A CARTA-TESTAMENTO DE MARCELO BIAR A TODOS NÓS

Em 9 de maio, antes de contrair a Covid-19, Marcelo Biar escreveu um texto que, hoje, após a sua triste morte que se soma às mais de 90 mil já confirmadas pela doença no Brasil, se tornou uma espécie de carta-testamento a todos nós, que já nos indignávamos, antes da pandemia de Covid-19, com a “pandemia da fome, da escravidão, da desigualdade e do egoísmo”, como descreveu tão bem.

Leia abaixo na íntegra:

AGORA QUE DESCOBRI QUE VOU MORRER, VOS DIGO…
(Marcelo Biar, em 9 de maio de 2020)

A proximidade da morte é sábia. Faz com que inevitavelmente, queiramos falar e fazer coisas. Em 2016 tive um infarto e coloquei 4 stents. Sim, é um susto, mas vida seguiu. Fui só eu naquela hora. Agora vem a pandemia e são e somos, todos. NÃO estou infectado, deixo claro, mas tudo pode ser uma questão de tempo. Mas e daí não estar se sei que outros tantos estão? Em meio a isso ficou tudo mais claro para mim, e de mim. Porque não se trata mais do medo de morrer, até porque esta é uma certeza com variações de tempo, mas de não existirmos mais.

Na eminência da morte surgem urgências de explicar e viver coisas e medo de não falá-las e não vivê-las. Quero que saibam e entendam que eu e muitos outros sempre vimos o mundo em pandemia e nos horrorizamos. A pandemia da fome, da escravidão, da desigualdade, do egoísmo. Alguns de nós, em outros tempos que espero não retornem, foram presos e mortos por falar contra esta pandemia. Nos horrorizamos quando víamos mandarem pessoas saírem das ruas e avisávamos que estes não tinham casa, tanto quando agora vemos governantes mandarem pessoas saírem de casa e irem para a morte.

Sempre foi horrível para mim, ver as pessoas morrerem sem acesso a um cuidado básico de saúde enquanto grupos capitalistas ficam ricos com a venda de planos de acesso a isso que é direito básico de qualquer cidadão. Sempre gritei contra a escravidão porque entendia que ela seguia na perseguição étnica, no superencarceramento, na perseguição a manifestações culturais populares como samba e funk, como na capoeira, na perseguição aos terreiros de candomblé e umbanda, enfim, em tudo que vinha do popular. Imagina se deixariam os pobres seguirem “deuses“ que são de característica humana. Imagina permitir tranquilamente, uma religião onde as principais entidades são de origem popular brasileira como pretos velhos, caboclos, boiadeiros etc. Imaginem se permitiriam uma cultura de chás e fitoterapia, e parteiras, numa saúde humanizada. Assim como na educação jamais quiseram permitir diálogo e troca. Jamais deixaram o povo se organizar com bases à emancipação. NÃO, isso tudo os atrapalharia muito. Como lucrariam e explorariam?

Se eu morrer amanhã vocês terão entendido do que falávamos? Se vocês morrem amanhã, terão entendido quem os matou?

Tenho receio ainda, e vamos ao campo do pessoal, de ter contos e músicas que ninguém leu ou ouviu. De não ter lido algum livro ou não ter visto algum filme. Muito medo de não conhecer alguma música do Chico Buarque. Tenho medo de não ter dito eu te amo a todos que amo. Tenho medo de não ter mandado alguém para a puta que pariu, sendo este notório merecedor.

Mas de todos os meus medos o maior é que isso tudo passe e voltemos ao normal. Morrendo lenta e cotidianamente, sem que chamemos atenção, da pandemia que sempre nos assolou. Do mal que regamos. Morro de medo de me deixar levar por um enorme bloco de carnaval, profundamente embriagado por todo um fim de semana e, na segunda feira, voltar à rotina.

Espero que tudo passe, que tramemos revoluções, que conversemos com nossos ancestrais, que mandemos muitos para a puta que pariu e que andemos descalços por quintais falando eu te amo.

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,500SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas