Hamilton Assis, candidato da Bahia ao Senado pelo PSOL, afirmou que no dia 5, domingo, o povo da Bahia terá uma chance histórica de mostrar que chegou a hora de ter a face da maioria da população representada no Senado. “Sou o único candidato igual à maioria da população. Sou de bairro periférico, Pau da Lima, negro, lutei contra todas as dificuldades e preconceitos para fazer um curso universitário e tornar-me pedagogo. Mesmo considerando o Senado uma instituição retrógrada e defendendo a formação democrática de um Congresso unicameral, assumo o compromisso de honrar o mandato de oito de anos que a população nos dará”, afirma.
Ele destaca a dívida histórica do Brasil com a população negra. “Foram mais de três séculos de açoites e no pós-abolição fomos excluídos do projeto de nação. Isso originou o abismo econômico, social e cultural entre negros e não negros. As marcas deste abismo se traduzem em nosso cotidiano por meio da prática do racismo que estrutura as relações de poder no Brasil. O Estado Democrático de Direito ainda é direito a ser conquistado. Dentro dessa luta que nosso mandato no Senado se alinhará. Não seremos nunca coniventes com os interesses do capital financeiro, das empreiteiras, do agronegócio e das grandes empresas. É nesse campo que nossa candidatura, já vencedora pelo que representa, vencerá o processo eleitoral”, afirma Hamilton Assis.
O candidato do PSOL parabeniza o movimento negro brasileiro e as organizações que lutam contra o racismo, uma luta que para ele supera a conotação partidária. “Recebemos o apoio da Coordenação Nacional de Entidades Negras na Bahia (Conem), do PSTU e do PCB para defender a mudança do atual modelo de desenvolvimento das cidades e do país claramente a serviço dos interesses das grandes corporações, em detrimento de um desenvolvimento sustentável e cidadão, que regule os territórios, que taxe as grandes fortunas e garanta, de fato, uma distribuição de renda eficiente. As maiores vítimas do atual modelo são os trabalhadores, os negros, as mulheres, enfim, os excluídos”.
Hamilton Assis critica o Estado atual, em sua opinião o primeiro a promover promotor o racismo, seja através dos serviços de saúde pública, precários como são; através dos serviços educacionais, degradados e segregatórios como estão e são; ou através da segurança pública e sua força repressiva, seletiva, violenta e letal, como sabemos. “O enfrentamento ao racismo estrutural e institucional é o primeiro passo para a construção de um imaginário e uma cultura de respeito às diferenças, valorização da diversidade cultural, religiosa, política e aos valores dos direitos humanos. Queremos a regulamentação do artigo 5º. da Constituição brasileira que define o racismo como crime inafiançável e imprescritível, a desmilitarização das polícias e imediato debate público sobre um novo modelo de segurança pública comunitária, humanizada e antirracista. Contamos não apenas com o voto, queremos mais que isso, buscamos em cada eleitora, em cada eleitor, uma pessoa a mais pela construção de uma sociedade igualitária”, finaliza.

