Após cinco anos do golpe de Estado em Honduras, que derrubou o presidente eleito democráticamente, Manuel Zelaya, em 2009, a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) destaca pontos negativos da atual situação do país centro-americano. Lamenta que o “governo usurpador” tenha desatado desde então a repressão e perseguição contra os opositores ao golpe, “violentando con isso os principais direitos cidadãos, como o direito à vida, à liberdade de expressão, entre outros direitos contemplados na Constituição da República e nos Tratados Internacionais”.
A FNRP condena ainda que da execução do golpe de Estado tenha participado a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), com a cumplicidade e o apoio da oligarquia e dos militares. São contabilizados mais de 200 assassinatos, incluindo sindicalistas, professores, operários, jornalistas, advogados, defensores de direitos humanos, todos membros da Frente e, posteriormente, do partido Libre.
No âmbito econômico, o golpe de Estado de 28 de junho de 2009 também teria convertido Honduras em um dos países mais corruptos do planeta, tendo sua economia e finanças se deteriorado completamente, de acordo com economistas. “Nosso país teve que pedir um resgate financeiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao estilo dos países da zona do euro, com consequências funestas para nosso povo, ou seja, ficaremos endividados para toda a vida”.
A FNRP se pronunciou contra a Lei de Emprego por Hora, porque reduziria os direitos trabalhistas adquiridos; contra as Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômicos (Zedes); e contra a Lei de Hipotecas, “porque vendem o território em pedaços aos consórcios e transnacionais”.
Foi ainda destacada a crise humanitária em que vivem milhares de crianças e adolescentes nos Estados Unidos, como produto da desintegração familiar que acelerou o golpe de Estado. “Essa crise o Governo de Honduras deve enfrentar com prioridade, para aliviar a situação econômica e social em que vivem nossas crianças e adolescentes, e para evitar sua emigração para outros países”.
No último sábado, 28, membros da FNRP realizaram uma mobilização para comemorar também o quinto aniversário .Segundo o comunicado de imprensa difundido pela Frente na jornada de mobilização, entre as medidas desenvolvidas pelo governo de Manuel Zelaya Rosales, que encolerizaram a oligarquia hondurenha e foram os principais motivos para que executassem o golpe de Estado contra Zelaya destacam: o Decreto Lei 18/2008, que favorecia com terras os campesinos; a aprovação de um aumento de 64% ao salário mínimo; o controle em favor do povo dos preços dos combustíveis, o qual contribuiu a entrada de Honduras no programa venezuelano de cooperação e financiamento, conhecido como Petrocaribe; a entrada de Honduras na Aliança Bolivariana dos Povos com a América (Alba), que contribuiu para o desenvolvimento das relações econômicas, comerciais e financeiras com a República Bolivariana da Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia e Nicarágua, e com outros países progressistas e antiimperialistas como o Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.

