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Greve dos bancários segue forte e fecha agências em todo o país

Do site do PSOL Nacional, Leonor Costa

Categoria deve fazer rodada de assembleias nesta quinta e sexta-feira para definir rumos do movimento
 
O Comando Nacional dos Bancários (CNB) divulgou nesta quarta-feira (25), no início da noite, que 10.024 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados, em todo o país, não abriram as portas para atendimento ao público nesta quarta-feira, sétimo dia da greve iniciada no último dia 19. Segundo o Comando, a paralisação atinge, inclusive, setores estratégicos como call centers.
 
A greve nacional foi deflagrada na quinta-feira passada (19) e, como nos anos anteriores, vem crescendo a cada dia. No primeiro dia foram fechados 6.145 unidades, subindo para 7.282 no segundo dia, 9015 no quinto dia e 9.665 unidades no sexto dia. Trata-se de um crescimento de 63,12% em relação ao primeiro dia de greve, conforme levantamento do Comando Nacional.
 
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), além de paralisar as atividades, os bancários vêm intensificando a realização de passeatas e manifestações em todo o país. Na terça (24) ocorreram caminhadas em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Campo Grande. Hoje, estavam agendadas mobilizações em Brasília, João Pessoa, Fortaleza e Salvador, entre outras.
 
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), braço sindical dos banqueiros, não tem se manifestado sobre a paralisação e nem em relação ao posicionamento dos patrões sobre a possível retomada das negociações.
 
A proposta da Fenaban, de reajuste 6,1%, que repõe apenas a inflação dos últimos 12 meses, foi apresentada no dia 5 de setembro e rejeitada pelos bancários em assembleias no dia 12, em todo o país.
 
Os trabalhadores reivindicam 11,93%, soma da inflação mais 5% de ganho real, além de benefícios sociais, três salários de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) mais R$ 5.553,15, piso de R$ 2.860,21, conforme o salário mínimo do Dieese, auxílio alimentação/refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá de R$ 678 ao mês, melhores condições de trabalho e o fim das metas abusivas e do assédio moral.
 
De acordo com o membro da executiva estadual da Fetec-SP (Federação dos Bancários) e funcionário do Bradesco, Francisvaldo Mendes (Francis), a Fenaban continua sem querer negociar, não havendo qualquer avanço no diálogo dos patrões com a categoria. “Apesar do lucro e do ganho garantido do mercado financeiro com aumento da taxa Selic, a intransigência é imensa por parte dos banqueiros”, critica Francis, que também integra a Executiva Nacional do PSOL.
 
Para enfrentar a intransigência dos patrões, a orientação das lideranças sindicais é fortalecer o movimento. Somente em São Paulo, Osasco e região, o total de trabalhadores que cruzou os braços já gira em torno dos 32 mil em 683 locais de trabalho, sendo 15 centros administrativos e 668 agências, segundo levantamento da Fetec-SP.
 
Terceirização
Além do índice de 11,93%, do reajuste real de 5% e de outras cláusulas econômicas e sociais, a greve dos bancários também traz em sua pauta o combate ao PL 4330/2004, que, ao regulamentar a terceirização no país, vai permitir a intensificação da precarização do trabalho por parte das empresas.
 
O dirigente da Fetec-SP e membro da Executiva Nacional do PSOL enfatiza que a terceirização atinge hoje um grande número de bancários, o que tem sido uma das principais ferramentas dos patrões para a obtenção do lucro a partir do alto grau de exploração do trabalhador.”Já temos muitos terceirização na categoria. Com a nossa luta, temos conseguido estender, na Justiça, muitos direitos dos bancários para os terceirizados. Mas a aprovação do PL 4330 será uma nova onda de ataques aos direitos e conquistas dos trabalhadores através da terceirização. Porque não dizer uma nova forma da reestruturação produtiva depois da automação”, explica Francisvaldo Mendes.

Segundo o dirigente sindical e bancário, entre hoje e amanhã (27), em todo o país, será realizada rodada de assembleias para avaliar os rumos do movimento e discutir as orientações do Comando Nacional de Greve, que se reunirá nesta quinta-feira, em São Paulo.

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