O deputado federal Tarcísio Motta lidera pedido encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro para revisar inquéritos de homicídio arquivados durante a gestão do delegado Rivaldo Barbosa à frente da Polícia Civil fluminense. A iniciativa tem entre os signatários a vereadora Mônica Benício e parlamentares da bancada PSOL-Rede na Câmara.
A medida ocorre após decisão do Supremo Tribunal Federal que condenou, por unanimidade, Rivaldo Barbosa por corrupção passiva e obstrução de Justiça no caso dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.
No documento enviado ao Ministério Público, os parlamentares solicitam o levantamento e o desarquivamento de todos os inquéritos relatados ou encerrados sob a gestão ou influência de Barbosa, a apuração de eventuais irregularidades nos arquivamentos e prioridade na revisão de casos que envolvam milícias, agentes públicos e organizações criminosas.
Para a bancada, a condenação do ex-chefe da Polícia Civil lança dúvidas sobre a integridade dos procedimentos conduzidos no período e impõe a necessidade de reavaliar investigações que possam ter sido contaminadas.
Tarcísio Motta afirma que a reabertura é uma medida de responsabilidade institucional diante da gravidade dos fatos. “Se quem estava no comando foi condenado por proteger criminosos e milícias, é obrigação reabrir o que foi engavetado. A sociedade tem direito à verdade. Não pode haver sombra de corrupção sobre investigações de homicídio. Seguiremos sendo pedra no caminho de todo o crime organizado.”
Segundo os parlamentares, não é possível tratar como normal o período em que a Polícia Civil esteve sob comando de um dirigente posteriormente condenado por interferir em investigações de um crime político que chocou o país. O pedido ao Ministério Público busca garantir transparência, justiça às famílias das vítimas e o enfrentamento às estruturas de proteção ao crime organizado.

