Cerca de 4,6 milhões de usuários do Metrô de São Paulo ficaram sem transporte nesta quinta-feira (05) por conta da greve dos metroviários, que teve início à 0:00h, sete dias do início da Copa do Mundo. A categoria tentou de todas as formas negociar pelos seus direitos sem prejudicar usuários mas nenhuma proposta foi aceita até então pela Secretaria de Transporte do Estado.
Em reunião na tarde de ontem entre o presidente do Metrô, o presidente do Sindicato dos Metroviários de SP e representantes do Governo, mais uma vez se tentou avançar na proposta da catraca livre. “Eu estou disposto a negociar com a categoria e ter o dia de trabalho de amanhã descontado dos salários. Assim o Metrô libera a catraca para a população. Nem a população, nem os cofres públicos seriam prejudicados. Seria uma alternativa à paralisação”, propôs o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior.
O governador Geraldo Alckmin não aceitou a proposta dos trabalhadores – que tinha por objetivo não prejudicar a população. Alegou que o Metrô não poderia arcar com o prejuízo e preferiu levar a greve para o campo jurídico. “Nós vamos entrar com os dois pedidos de greve abusiva e todas as suas consequências civis e trabalhistas e, ao mesmo tempo, com o pedido de dissídio. Espero que o tribunal decida. Então, é cumprir a decisão do tribunal. Espero que resolva ainda hoje”, declarou o governador, que afirmou ainda se tratar de um movimento “político e sem sentido”.
O PSOL apoia à greve dos metroviários, repudia à postura do governo do PSDB e a violência com que as forças de segurança do Estado têm tratado os grevistas, conforme pôde ser visto nos piquetes da madrugada desta sexta-feira. Os trabalhadores do Metrô foram reprimidos com bombas e balas de borracha, enquanto realizavam paralisação na Estação Ana Rosa, na zona sul da capital. Diversos outros pontos do metrô ainda concentram focos de resistência similares, como Brás, Jabaquara, Itaquera, Capão Redondo e Tamanduateí. “Repudiamos a ação da PM contra os grevistas do Metrô”, disse hoje o deputado federal do PSOL de São Paulo, Ivan Valente. Para ele, a categoria não pode pagar os custos do superfaturamento e da corrupção.
Ivan Valente também defende a catraca livre como forma de protesto. “A catraca livre é uma forma de você não prejudicar o usuário. Logicamente, o Estado ou a companhia vai ter que bancar esse prejuízo. Eu acho que essa é uma forma lícita enquanto se negocia uma saída para a greve. Só que eu acho que o governador está mais preocupado com a reeleição dele. Então, ele está achando o bode expiatório de dizer que a greve é política”, disse o líder do PSOL na Câmara, em entrevista ao Portal Terra.
Entenda a greve
No dia 15 de abril o Sindicato dos Metroviários entrega suas pautas de reivindicações ao Metrô e à Comissão de Políticas Salariais do Governo Alckimin. Um mês depois, no dia 27 de maio, em assembleia da categoria, foi deliberada greve para o dia 5 de junho. No dia 2 o Governo nega o diálogo com os trabalhadores e rejeita as reivindicações sem ter nenhum avanço nas negociações.
As demandas que os metroviários propõem como meta nas negociações ficam totalmente paralisadas, tais como: reajuste salarial, periculosidade, plano de carreira e equiparação salarial.
As denúncias do descaso das empresas com os metroviários ficaram mais evidentes quando no dia 4 de junho o jornal Estação denunciou que o aumento no pagamento de R$ 2,1 milhões em 2012 para R$ 22,4 milhões em 2013 beneficiava principalmente diretores e conselheiros. A matéria apontou alguns salários em curso: um assistente de diretoria receberia R$ 20.865,40 por mês, um gerente: R$ 21.555,61 e o salário base da categoria permanecia em R$1.323,55. No mesmo dia mais de 2 mil funcionários votaram por unanimidade pela greve, após o Metrô oferecer 8,7% de aumento, enquanto a categoria pedia reajuste salarial de 35,47%.
A direção do sindicato propõe ao governo a operação catraca livre: a categoria trabalharia, mas não seriam cobrados bilhetes dos usuários. O Governo Alckimin não aceita, alegando que não poderia arcar com o prejuízo.
A greve dos metroviários foi iniciada à meia noite desta quinta-feira (05/06). O Metrô entrou com liminar de urgência, que foi negada pelo Tribunal Regional do Trabalho. O presidente do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, e o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, não compareceram à mesa de negociações na assembleia, mas enviaram representantes jurídicos.
Nota do Sindicato dos Metroviários
Leia abaixo a nota divulgada hoje (06), segundo dia da greve, pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo.
Para atender a população, propomos: Aceitamos trabalhar de graça com catracas livres
O governador Alckmin continua atuando de forma intransigente e prejudicando a população. Por isso, desafiamos o governo estadual: aceitamos trabalhar de graça, com catracas livres.
Já fizemos esta proposta durante audiência no Tribunal ontem (5/6), mas o governo não aceitou. É mais uma demonstração de que buscamos a negociação e priorizamos a população, enquanto o governo só se preocupa com o lucro.
Além de intransigente, o governador Alckmin é irresponsável. Poucos trechos do Metrô estão funcionando. E para piorar a situação, quem está operando o metrô não são os funcionários de sempre. São supervisores que estão desempenhando uma função sem o preparo adequado.
Foi marcado o julgamento do dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para sábado, 7/6. Nova assembleia dos metroviários acontecerá nesta sexta-feira, dia 6/6, às 17h no Sindicato.
A greve continua por total responsabilidade de Alckmin.

